Carlos Tavares: China reage às declarações de José Serra

CHINA

O Diário do Povo – maior jornal da China e do mundo, com edição diária de 3 milhões de exemplares – publicou artigo (15/6) com visível ressentimento sobre declarações do ministro das Relações Exteriores, José Serra. Registra a afirmação do ministro de que “os focos principais da nova política externa brasileira são, dentro da América Latina, a Argentina e o México e, fora dela, os Estados Unidos e a União Européia”. Com referência aos demais países do BRICS (que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) informa o jornal que o ministro “se limitou” a dizer que o Brasil vai se esforçar para aproveitar oportunidades, sem visar os termos “privacidade” e “cooperação estratégica”. Ao finalizar, assinala que o governo interino “será forçado a manter distância dos membros do BRICS para evitar desagradar Washington”. É bom lembrar que a China, além de maior importadora de produtos brasileiros (cerca de US$ 40 bilhões/ano) tornou-se, também a principal investidora. Neste primeiro semestre já foram cerca de US$ 15 bilhões, incluindo adiantamento de US$ 10 bilhões à Petrobrás e contrato de importação de minério da Vale, por 26 anos.

PORTOS

Acaba de ser divulgada a relação dos 20 maiores portos do mundo, em 2015, na movimentação de carga geral. Com pequenas reduções com relação a 2014, devido à crise econômica, os dez primeiros do “ranking” são: Ningbo (China), 889 milhões/toneladas; Xangai (Ch), 717 milhões/t; Singapura (Sin), 574 m/t; Tianjin (Ch), 541 m/t; Taicang (Ch), 540 m/t; Tangshan (Ch), 519 m/t; Qingdao (Ch), 500 m/t; Cantão (Ch), 490 m/t; Roterdã (Hol), 466 m/t e Port Hedland (Austrália), 452 m/t. Na lista dos 20, em toda a América, em 15º lugar, aparece o porto de Louisiana, nos Estados Unidos, com 265 m/t.

LICITAÇÃO

Recentemente, importante delator da operação lava-jato declarou que, além da Petrobrás, existiam outros focos de corrupção, como o setor de portos. Evidentemente que se referia aos bilhões de reais pagos pelos terminais – e repassados aos usuários, exportadores/importadores – através das licitações para conseguir áreas portuárias. As deploráveis e inflacionárias licitações (encarecem os produtos de importação, trens, vinhos, bacalhau, trigo, etc) haviam sido extintas pela Lei 8215/2013, mas, irregularmente, voltaram a ser realizadas, para satisfação dos políticos. Como inexiste em qualquer outro país, industrializado ou emergente, do G20, - para não encarecer as exportações e importações – trata-se, portanto, da mais cara jabuticaba. Referindo-se às fraudes em licitação, no Brasil, o secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, afirmou “Em alguns casos, o custo adicional pode chegar a 50%”.



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