Carlos Tavares: Fundamental ajuda chinesa, chapa militar é contra e portos investigados

CHINA/ELEIÇÕES

Mesmo após o impeachment / transição para o governo de centro-direita, a China até melhorou o seu relacionamento econômico com o Brasil, aumentando suas importações e investimentos. Tratando-se, evidentemente, do sustentáculo fundamental para a recuperação da economia brasileira, torna-se importante saber como poderá transcorrer esse relacionamento após as eleições. Uma das favoritas à presidência, a chapa militar capitão Jair / general Hamilton parece não simpatizar com a China, não só a maior importadora das exportações nacionais, como também a principal investidora.

Após ter dito no Rio que não vai “botar o que é estratégico nas mãos de países com regime diferente”, no lançamento, em S. Paulo, o presidenciável capitão Jair foi mais claro ao afirmar que “queremos afastar o comunismo” (Valor 6/8). Certamente o presidente Xi, da superpotência asiática, governada pelo Partido Comunista, não deve ter gostado dessas declarações. Nem tampouco, os exportadores brasileiros de soja / carne.

DEPENDÊNCIA

Seria bom não só para a chapa militar mas também os eleitores saberem da inestimável ajuda que a China vem prestando ao Brasil. Entre janeiro/julho deste ano, a balança comercial bilateral crescendo 23% totalizou US$ 57 bilhões, com exportações aumentando 18%, chegando a US$ 36,4 bilhões. E até abril os investimentos chineses já alcançavam US$ 1,34 bilhão. Nos últimos quinze anos, mais de 200 empresas chinesas entraram no país, com investimentos de US$ 126,7 bilhões em 262 projetos de usinas, petróleo, gás, distribuição de energia elétrica/água, portos e educação.

A China, desde 2009, tornou-se primeiro parceiro comercial do Brasil, mas é apenas o 16º do gigante asiático. Acrescentando que os produtos responsáveis por mais de 80% das exportações brasileiras – petróleo, soja e minério – são fartamente disponíveis no mercado mundial, até em melhores condições. O total da balança brasileira, até julho, representou apenas pouco mais de 2% do registrado na balança chinesa (exp/imp – US$ 2,4 trilhões), a maior do mundo.

LAVA-PORTO

Cinco anos atrás, sob a forte e natural liderança do industrial Jorge Gerdau, a unanimidade do setor empresarial reunida em manifesto (43 entidades nacionais), conseguiu a extinção das nefastas licitações de áreas portuárias, com a Lei 12.815/15. Como sabe o governo, qualquer despesa no porto recai logicamente sobre os custos dos serviços de embarque, onerando as exportações.

Apesar disso, sob orientação/ pressão da facção paulista do partido dominante (o então PMDB), contrariando a Lei, foi expedido o Decreto 8464/2015 restabelecendo as onerosas licitações, que tem abastecido com bilhões de reais as administrações portuárias (Cias Docas) indevidamente sob tutela política. Assim, no momento em que está sendo apurado o verdadeiro fio da meada em Santos talvez fosse oportuno a procuradora-geral Dodge/PF verificassem as origens deste Decreto e também do fim da dinheirama entregue às Docas, e não aplicada em obras portuárias.



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