Carlos Tavares: a diferença dos Ernestos, as metas de Xi e cassinos não só em resorts

ERNESTOS

Ao completar-se, este ano, o 45º aniversário do reatamento das relações com a China – que ajudei a concretizar – encontra-se o presidente-capitão Jair em curiosa situação. Em 1974, o presidente-general Ernesto, em pleno regime militar, colocando os interesses do País acima dos ideológicos e religiosos, reatou as relações diplomáticas/comerciais com a nação comunista. Agora, decorridas mais de quatro décadas, o presidente-capitão, disciplinadamente, segue a patriótica determinação do general-presidente, mantendo o fundamental relacionamento com o país maior importador de produtos nacionais e também principal investidor, embora sem a simpatia do titular do Itamaraty.

Evidentemente o general Ernesto Geisel não convidaria o embaixador Ernesto para ser ministro das Relações Exteriores. Agora, em boa notícia, o presidente Jair declarou que até o fim do ano irá à China e a relação “vai melhorar com toda a certeza”. A propósito, como terão recebido a notícia o ministro Ernesto e o guru-conselheiro Olavo que classificou de “idiotas”, “palhaços” e “caipiras” politicos (do PSL, partido de Jair) por terem visitado a China?

CORRUPÇÃO / EDUCAÇÃO

Esses dois assuntos foram considerados prioritários pela Assembléia Popular Nacional, sempre realizada em março, em Pequim, e que este ano comemorou os 70 anos da Nova China. Da sua parte, sempre ouvindo a população, o presidente Xi Jinping, desde a posse, vem oferecendo tratamento duro com a corrupção, incluindo até a pena de morte.

E agora, o governo chinês acaba de lançar o Plano de Modernização Educacional, incluindo 8 metas a serem cumpridas até 2035. Note-se que a China já tem o maior e um dos melhores sistemas educacionais do mundo. Lá, entre a população de 1,4 bilhão de pessoas, analfabetas somente as recém-nascidas.

RESORT

No dicionário, essa palavra significa “ponto de encontro”. Mas os empresários do turismo aproveitaram o significado do termo para qualificar como resorts grandes parques arborizados onde o hotel-cassino é cercado de lojas, restaurantes, teatros e outros diversões. Porém em todos os países que, de fato, estimulam o turismo – desenvolvidos e emergentes – não há restrições: existem resorts, hotéis-cassino e cassinos isolados.

Agora, no Brasil, dois importantes políticos favoráveis a reabertura do jogo – presidente da Câmara, Maia, e o prefeito do Rio, Crivella – equivocadamente defendem os cassinos apenas em resorts. Assim, na ex-Cidade Maravilhosa, que se pretende reabilitar, não seriam reabertos os cassinos da Urca, Atlântico e Copacabana Palace. É bom lembrar que a última-dama, Dona Santinha Dutra, com o nefasto decreto 9215/46, não fez discriminação, fechou tudo, cassinos e resorts, deixando 50 mil desempregados e o Brasil isolado na desconfortável companhia do Haiti e países islâmicos.



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