Carlos Tavares: O jogo legalizado é um dos melhores trunfos para o turismo



JOGO E TURISMO

Com o desenvolvimento das técnicas modernas de controle e organização, tornou-se o jogo em cassinos (particularmente a roleta), um dos melhores trunfos para o turismo. Aproveitam bem do jogo legalizado não só os líderes mundiais do turismo, China e França, mas também as outras principais nações, industrializadas e emergentes, como os Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Espanha, Itália, Portugal, México, etc. Nesses países, lucram com o jogo o Estado (com tributos), os empresários do comércio/turismo e também os trabalhadores (mais empregos). Com as atuais tecnologias de fiscalização e também da principal área dos negócios (hotelaria) não há espaço para traficantes, máfias e bicheiros, nem tampouco, para lavagem de dinheiro, como pode ser facilmente verificado nos países onde o jogo funciona legalmente.

MACAU

Não se trata de simples coincidência o fato dos países que lideram o turismo terem também as principais cidades com redes de cassinos, quase sempre em hotéis. Na China, centralizada em Macau, mas nos Estados Unidos e França, embora com destaque, respectivamente, para Las Vegas e Mônaco/Cote D’Azur (centros que visitei e pesquisei pessoalmente), o jogo funciona em várias cidades. Macau, antiga colônia portuguesa, agora moderna cidade/região chinesa (RAEM), com 500 mil habitantes, possui 34 cassinos, e o principal, o monumental Venetian Hotel, com 3 mil luxuosos apartamentos, é explorado pela multinacional americana Las Vegas Sand Corp. Entre outros grandes grupos internacionais de hotéis/cassinos, também operam em Macau: o Four Seasons, Sheraton, St. Regis, Intercontinental, Conrad, Hilton, Holiday, Fairmont, Winn e Swiss Hotel. Tornando-se o maior centro mundial do jogo, Macau fatura cerca de U$ 30 bilhões/ano (cinco vezes mais que Las Vegas), recebendo 30 milhões de turistas, cinco vezes o total do Brasil. Líder do turismo (com Macau e Hong Kong) a China, em 2015, recebeu 100 milhões de visitantes, que deixaram US$ 400 bilhões. O faturamento geral jogo/turismo/comércio superou US$ 600 bilhões.

CONTRÁRIOS

Extinto há 70 anos por determinação de fundo religioso da primeira-dama, Dona Santinha, esposa do general-presidente Dutra, o jogo legalizado, com o seu retorno, vai atingir dois grupos distintos. O primeiro reúne os bicheiros e contraventores que não poderão concorrer com a tradicional rede internacional de hotéis-cassino acima citada. As lavagens de dinheiro da corrupção são impraticáveis pela fiscalização rigorosa, como no exterior. O outro grupo é integrado pelo enorme conjunto de cassinos estrangeiros em torno do Brasil, na Argentina, Uruguai e Paraguai, mas também na considerável frota de navios de turismo (cerca de 50) que atracam nos principais portos do litoral. Nesse caso, o alto faturamento desses cassinos, a custa de brasileiros, contribui para receita dos países-sede (dos vizinhos e dos navios) e para lucro das empresas operadoras. Como se vê, os brasileiros, com algum dinheiro, têm jogo à vontade por perto. Apenas, sem ter o jogo legalizado, perde-se a grande vantagem para o turismo/comércio, sem falar na arrecadação tributária. Indiscutivelmente – pelas suas vinculações com o turismo, comércio e arrecadação – as atividades dos jogos de azar tornaram-se bem consideradas nas economias das principais potências. E aqui, na coluna, as prioridades serão sempre os interesses nacionais.



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