Ernane Galvêas: A Selic do Banco Central e a inflação



Em reunião do COPOM de 20/7, o Banco Central manteve a taxa de juros básica SELIC no mesmo nível de 14,25%, desde 29/7/2015, para alegria do mercado financeiro, que se regozija com altos juros. O que move o Banco Central a subir ou manter alto os juros é o objetivo de combater a inflação, visto que, realmente, a taxa de juros é o mais eficaz instrumento de ação contra a inflação provocada pela demanda agregada, ou seja um excesso de crédito que alimenta um excesso de consumo e/ou de investimentos.

Acontece, porém, que na conjuntura atual, a inflação está vindo de várias fontes, principalmente da alta dos alimentos e outras, tais como: déficit fiscal, choque agrícola, inflação administrada, corretiva e inercial. Claramente, a inflação de hoje não vem nem do excesso de consumo, nem do investimento ou da expansão do crédito. Daí que o Banco Central se justifica alegando que sua ação é focada nas expectativas inflacionárias (!?).

Nos idos de 50/60 do século passado, o Banco Central controlava a quantidade de moeda em circulação, mediante variações na taxa de juros básica. Hoje, essa moeda praticamente foi substituída pela tecnologia dos novos meios de pagamentos e cedeu a vez ao crédito, que é controlado pelo Banco Central para fins monetários. Mas o crédito bancário, nos dias de hoje, está crescendo menos que a metade da inflação. Assim, de tudo isso se deduz que as altas taxas de juros, na conjuntura atual, não têm alcance para controlar a inflação, e o que vemos como resultado são os seus efeitos negativos: primeiro, a desigual transferência da renda em favor dos mais ricos e, segundo, o peso negativo sobre o déficit fiscal e a dívida pública.

De um modo geral, os agentes do mercado são, atualmente, a favor da queda da SELIC; a questão estaria na velocidade da queda, ressaltando-se que raros são a favor de uma queda brusca. Nesse contexto, vale a pena acentuar, como bem assinalou o Ministro Delfim Netto, que as expectativas inflacionárias estão caindo e, portanto, manter a SELIC alta significa mais um aumento da taxa real de juros.

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