Ernane Galvêas: Coordenação necessária

Na recessão econômica, quando caem a propensão a consumir e a investir, com o surgimento de elevada capacidade ociosa, por onde deve o Governo começar para retornar a expansão das atividades econômicas? Injetar recursos públicos, quando é evidente que grande parte do problema é o fato de o Governo gastar mais do que arrecada?

Ao que tudo indica, o melhor caminho é o "easy money", oferecer expansão do crédito através dos bancos a juros baixos, criando incentivos com recursos praticamente sem custos. É aí que entra a política monetária do Banco Central associada com a política fiscal do Ministério da Fazenda. A política monetária e a política fiscal devem caminhar juntas dentro da política econômica do Governo. Não é isso que vem acontecendo no Brasil. Falta comando.

A questão mais importante na atualidade é a retomada do emprego e o combate ao desemprego. Para tanto, é preciso criar um ambiente favorável e de segurança jurídica para que os empresários privados se animem a investir a criar novos empregos; é preciso dar flexibilidade às relações capital trabalho, como o apoio e garantia à terceirização, à flexibilização da política trabalhista, reforçando as negociações coletivas com base na prevalência do negociado sobre o legislado.

O DRAMA FLUMINENSE

"Atuando com amparo na própria legislação em vigor, o país poderia se beneficiar rapidamente de investimentos adicionais de monta e forte geração de empregos no Estado do Rio de Janeiro, onde a crise fiscal local e o fim das olimpíadas expõem uma ferida social difícil de cicatrizar sem ações específicas voltadas para esse fim. Só que, se o governo não se apressar, os ingredientes de uma crise social explosiva estão postos na mesa dos cariocas, e o setor privado pouco poderá fazer antes de o setor público como um todo tocar a parte que lhe cabe"

(Raul Velloso – O Globo 12/09/16)

ATIVIDADES ECONÔMICAS

É quase um consenso dentre os economistas, que a economia bateu o “fundo do poço”. Segundo um levantamento da FGV, sete dos dez principais setores da atividade econômica esboçam alguma recuperação, ou ao menos pararam de piorar. Também é consenso que a robustez e a velocidade de recuperação estão nas mãos do governo.

A melhora recente dos indicadores de confiança empresariais e dos consumidores ainda não sinaliza retomada plena da atividade econômica no país. O aumento dos índices de confiança também indica que o “fundo do poço” chegou, além de um desejo e uma esperança de retomada, mas não é um indicativo, de fato, de retomada dos investimentos pelos empresários, por exemplo.

O índice de confiança empresarial, calculado pela FGV, teve alta de 2,4% na passagem de julho para agosto. A Fundação entende que os próximos meses serão decisivos para determinar a direção do índice de condições atuais, que não tem evoluído positivamente na mesma velocidade do que as expectativas. Esse fenômeno vem ocorrendo tanto nos dados de confiança colhidos juntos aos empresários quanto aos consumidores.

O número de famílias endividadas cresceu para 58% das famílias brasileiras em agosto, ante 57,7% em julho, como mostrou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC. O número de agosto é menor do que o de agosto de 2015, quando 65,5% das famílias possuíam algum tipo de dívida.

Já o percentual de famílias com contas em atraso, 24,4%, se mantém mais alto nas duas bases de comparação. O mesmo ocorre com as famílias que relatam não ter como pagar suas dívidas: 9,4% do total, percentual mais elevado do que o de julho e do que o de agosto de 2015.



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