Carlos Tavares: As ameaças de Trump e a lembrança de Ulysses



EUA

Procurando neutralizar as preocupantes ameaças do candidato republicano Donald Trump de cercear as importações, o governo americano, após reclamar na OMC/ONU das exportações brasileiras de trigo, algodão e milho – sob a infundada alegação de subsídio – investe agora também contra os embarques de produtos siderúrgicos.

No caso, trata-se de sobretaxas criadas por Washington para exportação de alguns tipos de aço, protegidas pelo programa Reintegra. Em poucas palavras, o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, resume a questão: “Não é subsídio nem renúncia fiscal, mas tão somente a devolução de tributos pagos antecipadamente por exportadores”.
Essa isenção de tributos para produtos exportados é procedente, pois, de fato não cabe ao consumidor estrangeiro pagar imposto ao governo brasileiro.

MACAU

Mais de cem países da Organização Mundial de Turismo exploram os jogos de azar como suporte ao turismo (e comércio), fonte de arrecadação tributária e criação de empregos. Os melhores modelos encontram-se justamente nos países que lideram o ranking mundial do turismo: China (incluindo Macau e Hong Kong), França e Estados Unidos. A bela cidade chinesa de Macau – com seus 34 hotéis-cassino e mais 4 em lançamento até 2018 – maior centro de jogo do mundo, recebe cerca de 30 milhões de turistas/ano, cinco vezes mais que o Brasil.

Recente reunião da Cúpula de Turismo China-EUA registrou que o número de turistas entre os dois países ultrapassa de 30 milhões. No momento em que os Estados brasileiros, com baixa arrecadação, sofrem grave crise financeira, seria oportuno o apoio aos projetos sobre os jogos de azar em trânsito no Congresso.

No próximo dia 7 de novembro, na CNC/FCCE, no Seminário Macau, China e Brasil, às 15 hs, pretendo dar melhores informações sobre a magnífica rede de hotéis-cassino dessa antiga cidade-colônia portuguesa, que conheço bem. No mesmo dia 7 pela manhã, de 9 às 12 hs, na Escola Superior de Guerra será realizado painel sobre Macau e a Relação Sino-Luso-Brasileira.

ULYSSES

No momento em que se comemora o centésimo aniversário do ilustre deputado Ulysses Guimarães, lembrei-me de interessante encontro mantido com ele na residência do jornalista Roberto Marinho, em Angra, num fim de semana de verão de 1987 (guardei foto).

Tendo sido a ele apresentado como especialista em comércio exterior, queria o Dr. Ulysses saber porque se exportava tanta soja enquanto muitos brasileiros passavam fome nas favelas e no Nordeste. Então expliquei-lhe que, na Ásia (Japão, China, etc) a população comia e achava uma delícia a soja, inclusive em forma de bife. E acrescentei que, com os doares recebidos pela soja, importávamos trigo dos Estados Unidos para fazer o pão dos favelados. Sorrindo, o Dr. Ulysses ponderou: “Se é assim, é razoável exportar”.



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