Carlos Tavares: Trump nas mãos do Partido Republicano e a pena de morte para corrupção na China



TRUMP

Agora enquadrado na estrutura e normas do Partido Republicano – que tem a maioria na Câmara e Senado – o presidente-eleito americano já mudou completamente o tom do seu discurso e convidou para o futuro ministério as indicações partidárias, inclusive o próprio presidente do Partido para Chefe de Gabinete.

As infundadas e ameaçadoras propostas de Donald Trump durante a campanha, em particular para a área econômica, não terão, evidentemente, respaldo do Partido Republicano, bem melhor que o Democrata na condução da política para área. Sob a administração democrata os EUA perderam nos últimos anos a liderança do comércio internacional para a China, que além do total em valor (cerca de US$ 4 trilhões) passou a ser também o maior parceiro de 124 países, inclusive o Brasil, contra 76 dos americanos.

A propósito, foram presidentes republicanos os responsáveis pelo reatamento de relações com a China, Richard Nixon (em 1972) e George Bush (o primeiro embaixador), contribuindo largamente para a expansão do comércio mundial. A balança comercial EUA - China, a maior do planeta, deverá fechar o ano totalizando US$ 450 bilhões, com previsão de alcançar mais de US$ 1 trilhão em 2024. A Bolsa de Xangai opera em alta.

AFRMM

A extensa sigla acima, bem conhecida no setor naval, significa Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, instituído pelo Decreto 2404/1987. Corretamente, esse tributo desde 1997 não vem incidindo sobre os fretes (cargas) da navegação de cabotagem e do interior (fluvial e lacustre).

Porém, esse necessário benefício, seguidamente prorrogado, terá término legal em 8 de janeiro de 2017. Caso não seja prorrogada essa concessão, será criado mais um ônus para esse setor da navegação, da maior importância para economia do País. Não custa lembrar que toda despesa sobre a carga (paga por armadoras, usuários dos portos e comerciantes) recai forçosamente na conta do consumidor final do produto. Assim, para tranquilidade geral, poderia o governo antecipar logo a prorrogação do benefício.

CORRUPÇÃO

Em recente reunião, comemorando o 80º aniversário da Longa Marcha, o presidente da China, Xi Jinping, reafirmou sua prioridade no combate à corrupção para garantir uma “governança limpa”, em benefício do povo. Quem pesquisa a história da China (como o colunista há quarenta anos) sabe que, no passado, a corrupção já causou o afastamento e até a execução de muitos dirigentes.

A propósito, mês passado, o Tribunal da Província de Heilongjiang condenou sumariamente à pena de morte o gerente da estatal Longmay Mining Holding Group, Yu Tieyi, por desfalques da ordem de US$ 45 milhões. O Tribunal confiscou todos os bens de Yu, que confessou os crimes e desistiu do perdão. Pode-se imaginar, caso existisse no Brasil a pena de morte por corrupção, como seria atingida a classe política. Somente a operação Lava-Jato tem 100 parlamentares envolvidos.



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