Ernane Galvêas: A “bomba atrumpca”

Desde a 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos assumiram o comando político-econômico do mundo, liderando a criação do Fundo Monetário, do Banco Mundial e do GATT, bem como a liderança na ONU, na OTAM e na OMC. Nos últimos 20 anos, foram ampliadas as relações comerciais com o Canadá e o México, através da NAFTA, e com a União Europeia, via Acordo TPP (Acordo Transpacífico). Esse quadro nos dá a extensão da importância dos Estados Unidos no comércio e nos investimentos internacionais.

A baixa sensibilidade política da classe média baixa americana elegeu Donald Trump e criou um sério risco para a estabilidade político-econômica dos Estados Unidos e para as negociações mundiais, nos próximos quatro anos. A vitória de Trump pode ser vista como um protesto do povo americano contra a oligarquia dos Kennedys, dos Bushes e dos Clintons.

Os meios políticos estão lamentando a nomeação de Stephen Bannon, radical de direita, para o cargo de estrategista-chefe da Casa Branca.

Bases do Programa Trump

Estado Islâmico – Além do Estado Islâmico ser o nosso maior inimigo, ele ficou com o petróleo do Iraque e da Síria, de que deveríamos ter nos apossado (!?). Abrir as portas a refugiados de países como a Síria, é um convite pessoal ao Estado Islâmico. A ideia é trabalhar com aliados no Oriente Médio, numa coalizão militar agressiva para destruir o “EI”.

Imigrantes ilegais – Vários países estão despejando em nossas fronteiras seus piores elementos. E isso tem de parar. “Assim que assumir a Casa Branca, vou providenciar a deportação de TRÊS milhões de imigrantes com antecedentes criminais”.

Globalização x protecionismo – Trump manifesta uma equivocada reação ao processo da globalização, considerando sua influência negativa sobre os interesses da indústria nacional. A nosso ver, esta é a parte mais negativa de seu programa.

OTAN – Trump pretende rever o papel dos Estados Unidos na OTAN, considerando os altos custos e o baixo rendimento de sua atuação. Bases militares americanas no exterior poderão ser fechadas.

Irã – A ideia é desmantelar o acordo negociado sobre a produção de armas nucleares, considerado por Trump o pior acordo assinado pelos Estados Unidos, com um certo sentido de proteção a Israel e Arábia Saudita.

Diplomacia com a Rússia – Trump vai tratar de reforçar as relações diplomáticas com a Rússia, visando criar um clima de estabilidade e segurança política na Europa.

China – A proposta é aplicar tarifa de 45% sobre a importação de produtos chineses. Trump considera que lidar com a China é seu maior desafio, a longo prazo. Importante parceira financeira, a China tem a metade de suas reservas cambiais investida em títulos do Tesouro americano (US$ 1,5 trilhão). Mas a China representa também um alto risco político em relação a Taiwan, o que preocupa os Estados Unidos. Também, não agrada uma tradicional proteção da China aos objetivos confusos da Coréia do Norte.

Coréia do Sul – Não preocupa. É problema de maior interesse para o Japão.

Japão – Continuaria sendo um parceiro comercial importante e confiável.

Forças Armadas – A indústria bélica americana é considerada estratégica, do ponto de vista da segurança nacional e internacional, e de alto sentido econômico, pelas exportações e geração de emprego.

Meio ambiente – Trump pretende retirar apoio dos Estados Unidos ao Acordo Climático de Paris, que se propõe a combater o aquecimento global do clima, mediante redução do consumo de combustíveis de petróleo (gasolina e óleo diesel), maiores emissores de CO2, responsável pelo “efeito estufa”. Trata- se de Programa de iniciativa do IPCC, apoiado decisivamente pela ONU, com o conhecido apoio de Al Gore e Bill Clinton. Em verdade, trata-se de proposta sem maior base científica, de alto interesse dos produtores de equipamentos para produção de energia atômica, eólica e solar.

Reforma tributária – Uma das principais bandeiras do Presidente Trump é a promessa de reduzir a tarifa máxima do Imposto de Renda das pessoas físicas, de 39% para 33%, e das pessoas jurídicas de 35% para 15% (!?). A maioria dos economistas considera impossível essa proposta, pois poderia elevar a dívida do Governo em US$ 5 trilhões, em 10 anos.

A posição do Brasil – Frente a esse quadro de política externa, o Brasil só tem a perder, se as enunciadas medidas protecionistas desencadearem uma redução das correntes mundiais do comércio. Fora isso, é aguardar, confiantes.

A nosso ver, Trump teve toda razão em ser contra o Acordo Ambiental de Paris, sustentado pelo radical IPCC e pela ONU, sem fundamentação científica válida. O aquecimento global da Terra, pelo efeito estufa, pouco ou nada tem a ver com o gás carbônico derivado dos combustíveis de petróleo, pois o CO2 participa com apenas 0,03% na composição da estratosfera. O vapor d’agua participa com várias vezes mais.

O revigoramento da exploração e consumo de carvão como combustível é outra coisa, pois a liberação do componente enxofre e outros é altamente prejudicial à saúde. São duas coisas diferentes, como se pode ver pela poluição ambiental nas maiores cidades da China.

As primeiras nomeações para compor o “ministério Trump”, com a evidente exceção de Giuliani, pode ser um desastre para a implementação do programa “América First”, uma ameaça não só à estabilidade econômico-político dos Estados Unidos, como ao restante do mundo.

GESTÃO INCOMPETENTE

O Estado do Rio de Janeiro está convivendo com a maior crise econômica de sua história, devido à desastrosa governança administrativa há vários anos. Acaba de decretar “estado de calamidade”.

Há no Estado do Rio projetos rodoviários da maior importância, com investimentos da ordem de R$7 bilhões, que não deslancham por incompetência administrativa. Um caso emblemático é o da construção de novas pistas na Serra das Araras, Rodovia Presidente Dutra, em Piraí, um projeto de R$1,7 bilhão que, a curto prazo, pode gerar 5 mil empregos. Esse projeto está parado há sete anos, por falta de um entendimento burocrático entre as autoridades do Estado, o TCU e a agência reguladora das concessões rodoviárias. Um absurdo inconcebível.



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