Carlos Tavares: as relações dos EUA com o jogo e de Donald Trump com a China



EUA E O JOGO

Os países que lideram o turismo mundial são justamente os que melhor exploram os jogos de azar: China, Estados Unidos e França. Como jornalista e pesquisador já visitei os principais centros de cassinos desses países: Macau, Las Vegas e Mônaco. Dadas às afinidades e semelhanças estruturais político-partidárias, os EUA, de fato, apresentam um bom modelo a seguir.

Tempos atrás, atendendo a honroso (e raro) convite do governo americano visitei longamente o país, culminando com gratificante fim-de-semana programado na cidade de Las Vegas, sempre repleta de turistas, grande parte estrangeira. A rede de magníficos hotéis-cassino, além de variados restaurantes e salões de baile, oferece, paralelamente, shows com famosos artistas.

Não há a menor possibilidade de infiltração de corrupção e de lavagem de dinheiro, face à idoneidade dos grupos hoteleiros selecionados e autorizados a operar. Evidentemente que essas empresas, além de bem fiscalizadas, jamais permitiriam a entrada de dinheiro da corrupção para transferência para o exterior.

BRASIL E CHINA

A Fundação Alexandre Gusmão, do Itamaraty, acaba de lançar, na internet, o importante trabalho “China – 40 Anos de Relações Diplomáticas” (445 págs), com dossiê sobre o relacionamento com a República Popular (1974-2014).

Antes, em 1880, entre os dois impérios, foi assinado o primeiro tratado de Comércio e Navegação Brasil-China; em 1883 foi criado em Xangai o primeiro consulado do Brasil na China e em 1909 o ministro das Relações Exteriores, barão do Rio Branco recebeu o diplomata Liou She-shun, que em 1914 foi indicado para primeira legação da China no Brasil, sediada no Rio.

Toda essa história está minuciosamente contada no meu livro “Dois Temas para Dilma: China e Portos”. Curiosamente, no ofício de apresentação da China – em francês escrito a mão – o ministro brasileiro foi tratado como “le baron Rio de Branco”.

TRUMP E CHINA

Agora na linha do Partido Republicano – que em 1972 com Nixon deu reinício ao intercâmbio comercial entre as duas nações – ao agradecer o telefonema do presidente Xi Jinping, Trump reconheceu: “A China é um grande e importante país cuja expectativa de desenvolvimento prende a atenção mundial”.

Na sequência, para surpresa geral, no fim de novembro, Trump nomeou a chinesa Elaine Chao para a Secretaria de Transportes, que terá a incumbência de administrar os US$ 550 bilhões, prometidos para investimentos em estradas, pontes, aeroportos, portos e ferrovias. No comunicado da nomeação, - da primeira mulher asiática-americana a integrar o gabinete (ministério) do país – o presidente eleito destaca “a forte liderança da secretária Chao e a sua experiência…”.

Significativamente, Chao é esposa do líder de maioria republicana no Senado, Mitch McConnell. Em seguida, Trump convidou para embaixador na China o governador de Iowa, Terry Branstad. Tanto a secretaria quanto o embaixador foram saudados com três páginas de boas referências no Diário do Povo ( digital ), de Pequim, sendo Branstad considerado “velho amigo do povo chinês”.

Demonstrando o forte interesse empresarial, de ambos os lados, em manter vivo esse alto intercâmbio (balança exportação/importação de U$500 bilhões/ano), no início do mês, realizou-se em Pequim o Simpósio de Relações China-EUA, com a presença do ex-secretário de Estado, o republicano Henry Kissinger, que assessorou o presidente Nixon no reatamento comercial entre as duas superpotências.



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