Carlos Tavares: o alto faturamento de Las Vegas e a fome de grãos da China



JOGO-TURISMO

Recente reportagem do jornal Valor (15/12) informa que a cidade americana de jogos de azar/cassinos, Las Vegas, em 2015 recebeu 42,3 milhões de turistas, faturando US$ 9,5 bilhões em impostos e criando 400 mil empregos. Os EUA, ao todo, tiveram 77 milhões de turistas estrangeiros e a França (com 84 milhões) ficaram atrás da China – somados os visitantes de Macau e Hong Kong listados separadamente nas estatísticas – a qual registrou mais de 100 milhões de turistas estrangeiros.

Essas três nações, que lideram o turismo mundial, são também as primeiras no aproveitamento dos jogos de azar/cassinos, demonstrando o lógico e importante entrosamento de ambos os setores. Sem nunca se ter ouvido falar que essa enorme rede internacional de cassinos – integrada por conceituadas empresas como a Las Vegas Sands, Sheraton, MGM, Swiss Hotel, Wynn, Trump e outras - tenha registrado qualquer transferência de dinheiro ilícito (lavagem).

CASSINOS/LAVAGEM

O argumento básico dos contrários à regulamentação dos jogos de azar de que os cassinos, se reabertos, iriam propiciar a lavagem de dinheiro da corrupção e narcotráfico, absolutamente não procede. Um parlamentar chegou a dizer que o Brasil se tornaria o paraíso da contravenção, com as máfias atravessando a fronteira para lavar o dinheiro. Se essas operações fraudulentas fossem factíveis, não precisariam os contraventores se dar ao trabalho de atravessar a fronteira pois os cassinos funcionam livremente na Argentina, Paraguai e Uruguai.

De certo modo, a acusação de que o jogo legalizado favorece a fraude/lavagem de dinheiro da corrupção atinge não só as potências do G20 (China, EUA, França, Rússia, etc.) como também outros 150 países da Organização Mundial do Turismo, com hotéis-cassino que estariam tolerando esse crime. Pelo visto, na direção certa apenas o Brasil, Bolívia e os países islâmicos, sem jogo legalizado, nem hotéis-cassino. Aliás, para lavagem nem seria necessário esse (inexequível) sistema cogitado para os cassinos de vez que já funciona muito bem o praticado pelas empreiteiras legalizadas e suas filiais/agências no exterior, com movimento ilegal recorde mundial de US$ 6 bilhões, em 12 países, conforme apurou a justiça americana (apenas na Lava Jato).

GRÃOS

Com a economia completando outro ano de boa expansão, dentro dos 6,7% de crescimento programado para o PIB, a China apresentou excepcional produção de grãos totalizando 616 milhões de toneladas: quatro vezes a do Brasil e o dobro da dos Estados Unidos. Curiosamente, devido ao alto e crescente consumo de sua população (1,3 bilhão/hab, a maior do mundo) o gigante asiático lidera não só a produção como também a importação de grãos.

Entre os mais visados, soja, milho e trigo, com o primeiro o Brasil disputa acirradamente o mercado com os EUA e a Argentina. Interessante observar, para felicidade desses três concorrentes, a China está até reduzindo a já pequena área cultivável (9% do território) enquanto os brasileiros dispõem ainda de mais de 50% do terreno aproveitável para plantações.



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