Carlos Tavares: A expansão dos investimentos chineses e a recuperação das hidrovias



XIAOLING

Nova leitora, a ministra-conselheira de economia/comércio da embaixada chinesa (em Brasília), Xia Xiaoling, em simpática mensagem agradeceu a atenção da coluna ao seu país. Na realidade, o objetivo direto das informações aqui publicadas, é divulgar o extraordinário desenvolvimento da China, agora a outra superpotência econômica, principal parceira comercial de 126 países (os EUA ficaram com 76). O Brasil tem o gigante asiático como primeiro na balança comercial – com o total,em 2016, de US$ 61,2 bilhões e exportações de US$ 37,4 bilhões – embora seja apenas o 17º no ranking chinês.

Além disso, segundo a ministra Xia, a China em plena expansão no exterior, mantém aqui aplicações em “fluxo anual de US$ 10 bilhões e um investimento contabilizado de US$ 30 bilhões”. Foram feitos adiantamentos de US$ 10 bilhões para compra de petróleo e contratos para importação de minério da Vale, por 27 anos. É bom lembrar que tanto o petróleo e o minério, quanto a soja, são commodities bem oferecidas no mercado, o grão pela Argentina e EUA, as vezes até em melhores condições. É preciso reconhecer.

A propósito, seria aconselhável (e bom negócio) investimentos chineses na infraestrutura de exportação, rodovias, hidrovias, cabotagem, portos e terminais. Ao que parece, juntou-se “a fome com a vontade de comer”.

HIDROVIAS

O imenso potencial da navegação comercial entre os rios brasileiros, ano passado, mostrou parte do seu acervo, como a recuperação da Hidrovia Tietê-Paraná, após 20 meses de paralisação, devido a problemas estruturais (parcialmente resolvidos) e a estiagem. Ao todo, a Hidrovia movimentou cerca de 8 milhões de toneladas de carga (basicamente soja, milho e cana), com mais de 3 milhões/t destinados à exportação pelo porto de Santos.

Segundo projeção do Departamento de Hidrovias (DH), do Estado de São Paulo, a Tietê-Paraná, em 2017, terá movimento recorde de 6,1 milhões/t para Santos. Evidentemente, como não há comunicação direta da Hidrovia com o porto, a parte final do transporte realiza-se por ferrovia/rodovias. Não se deve esquecer que o hidroviário é o mais barato e menos poluente dos modais de transporte.

XI e TRUMP

Em janeiro, os líderes das duas superpotências, China e Estados Unidos, demonstraram claramente ao mundo a orientação que pretendem seguir nos próximos anos. Figura central do Fórum Mundial de Davos, o presidente Xi Jinping, no discurso inaugural, pediu aos países que “adotem o caminho correto de integração à globalização econômica para trazer seus benefícios a todos”.
Para complementar, e satisfação dos presentes, anunciou que, nos próximos cinco anos a China importará produtos no valor total de US$ 8 trilhões, atrairá investimentos de US$ 600 bilhões, aplicará US$ 700 bilhões no exterior e enviará 700 milhões de turistas ao exterior.

Já o presidente Donald Trump, no discurso de posse, com seu estilo agressivo, em direção político-econômico contrária, confirmou seguir as ameaças de nacionalismo radical de campanha eleitoral, colocando os interesses dos EUA “sempre em primeiro lugar”.

Os interesses da Humanidade e demais nações, inclusive nas questões econômicas e ambientais ficarão em segundo plano. Num rasgo de humildade e sensatez, reconhecendo não serem os EUA mais a superpotência absoluta do planeta, Trump afirmou que “retornaremos” como nação mais rica e poderosa. O ponto simpático da apresentação do intempestivo novo presidente americano, foi a presença, ao seu lado, da bela, elegante e discreta Melania, sua esposa.



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