Ernane Galvêas: O Banco Central acordou

A obviedade da política monetária equivocada, com a taxa básica de juros mais alta do mundo, acabou convencendo a diretoria do Banco Central de que estava marchando de passo errado, na contramão da política fiscal que pretende abrir caminho para amenizar a crise econômica. E na última reunião do COPOM a SELIC foi reduzida em 0,75%.

Com a economia brasileira em recessão, com queda de consumo e dos investimentos, o Banco Central teimou em manter a SELIC em 14,25%, convicto de que essa esdrúxula decisão servia para combater a inflação. A queda recente da inflação, que vem acontecendo desde 2015, em verdade, não deve nada à atuação do Banco Central. Pelo contrário.

ALELUIA

O mundo político brasileiro precisa arregimentar todas as forças positivas para evitar o caos e a desordem que ameaça bater às portas do Governo. Nesse sentido, sem dúvida, a decisão mais importante será a reeleição do deputado Rodrigo Maia, no próximo dia 2 de fevereiro, com o sentido de deixar claro o apoio ao Governo Temer, a partir da aprovação das medidas que estão pendentes de decisão na Câmara.

Aleluia.

A POSSE DE TRUMP

O Governo Trump é uma incógnita e ninguém sabe como ele vai administrar: se na linha xenófoba de seus discursos de campanha ou sob a orientação do Partido Republicano e de seu moderado Vice-Presidente Mike Pense. Conforme acentuou o Estado de São Paulo, “o mundo aguarda para saber qual Donald Trump exercerá a Presidência dos Estados Unidos: se aquele candidato boquirroto, inconsequente e irresponsável ou o político ciente do papel que representa. O Trump presidencial ou o Trump carnavalesco? (David Brooks, The New York Times).

O noticiário da imprensa diz que Trump assumiu “sob protestos”. Não é verdade. Pelo visto, alguns grupos de baderneiros encapuzados tentaram desviar as atenções da televisão, mas não conseguiram. Foram contidos – 90 presos – pela polícia de choque. Mais importante foi o protesto das mulheres, em Washington, New York e em 60 países.

O NON-SENSE DA ANTIGLOBALIZAÇÃO

A globalização começou com as grandes navegações do século XV e a exploração das novas colônias de ultramar.

Na sequência histórica, veio a integração dos mercados internacionais nos campos da cultura e das ideias, no comércio de bens e serviços, no mercado financeiro e na transferência de tecnologia.

Começava, ao mesmo tempo, um processo de integração cultural que iria consolidar a globalização econômico-financeira e ganhar impulso com o surgimento das empresas multinacionais.

Nesse contexto, não faz sentido a reação de milhares de manifestantes que vão para as ruas protestar contra a globalização, por organizações de nítido caráter subversivo e anarquista, de ONGs, sindicatos, organizações político-ideológicas.

Eles quebram vitrines, incendeiam automóveis e paralisam o trânsito com o propósito de perturbar as reuniões de cúpula, onde se debatem grandes problemas mundiais.

Tais protestos fazem lembrar a reação, muito mais lógica e legítima, daqueles trabalhadores ingleses desempregados do século XVIII, os “ludistas”, comandados por Ned Ludd, que invadiram as fábricas, quebraram máquinas e as atiraram ao rio, num movimento insensato, com que buscavam impedir a Revolução Industrial.

Esses ludistas modernos, que praticam o “non-sense” da antiglobalização, utilizando a violência, podem pensar que estão agindo contra o capitalismo da nova Revolução Industrial, mas, em verdade, estão agredindo a democracia e a civilização.

DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS

Na área indígena, o Governo adotou uma drástica mudança na política do setor, com a publicação da Portaria nº 68 do Ministério da Justiça e Cidadania, de 14 de janeiro, que altera significativamente o processo de demarcação de terras indígenas em vigor, que tantos problemas tem causado. A Portaria, basicamente, transfere a atribuição de demarcar as terras indígenas da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para o Ministério, assessorado por um Grupo Técnico Especializado (GTE), ao qual caberá “fornecer subsídios para a decisão do Ministro em assuntos que envolvam demarcação de Terra Indígena”.

O GTE será integrado por representantes da FUNAI, Consultoria Jurídica (do Ministério), Secretaria Especial de Direitos Humanos e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.

É importante salientar o parágrafo VI do artigo 4º da Portaria, que determina “o cumprimento da jurisprudência do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a demarcação de Terras Indígenas”, abrindo caminho para a consolidação do chamado “marco temporal” para as demarcações. O “marco temporal”, tão temido pelos indigenistas, estabelece que apenas poderão ser objeto de demarcações as terras efetivamente ocupadas pelos indígenas por ocasião da promulgação da Constituição de 1988.

INCERTEZAS E PREOCUPAÇÕES

Ainda nem bem saído da crise de 2008, o mundo voltou a mergulhar em um clima de incertezas e preocupações, com a ascensão de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos e suas ameaças de agressiva política externa. A primeira vítima dessa política foi o México, acusado de tráfico de drogas e de uma imigração negativa, do ponto de vista do mercado de trabalho dos americanos.

O principal instrumento da ação de Trump, no comércio exterior, é a elevação das tarifas de importação. A primeira vítima é o México, seguido da China. O México não tem poder de retaliação, mas a China tem, o que pode dar início a uma guerra comercial de consequências imprevisíveis. O Canadá, a Europa e outros países virão na sequência. Mas o Brasil, ao que tudo indica, está fora desse jogo perigoso.



menu
menu