Carlos Tavares: Novidades sobre portos, ferrovias e turismo



Portos

Sobre a questão dos portos, importante para qualquer plano econômico, o governo interino apresentou duas medidas, uma boa e outra má. Logo tomada, a boa foi a re-anexação da Secretaria de Portos ao Ministério dos Transportes, como é no exterior. Sem o enfoque de ministério, elimina-se a cobiça dos políticos (e a corrupção) e reduz-se a burocracia. A outra medida – felizmente apenas anunciada – seria a privatização da gestão dos grandes portos públicos, com a venda das Cias Docas. Absolutamente inexequível, a administração pelo setor privado desses complexos, não poderia cumprir as indelegáveis funções oficiais como a fiscalização, arrecadação, dragagem e outros. A propósito, os maiores portos mundiais (que visitei) foram criados pelo setor privado (Roterdã, Los Angeles, Xangai, Hamburgo, Antuérpia e outros) e logo passaram para gestão estatal, por interesse dos próprios empresários.

Ferrovias

Melhorando sua estrutura econômica, neste primeiro semestre, a China inaugurou três novas linhas internacionais de trens de carga. A primeira está ligando, diretamente, a cidade de Wuhan, no centro do país a Lion, na França, em percurso de 11,3 mil km, passando pelo Cazaquistão, Rússia, Bielorússia, Polônia e Alemanha. A segunda liga a cidade de Donguang – grande centro exportador perto de Cantão, ao Sul, - à cidade-porto de Duisburg, às margens do Reno, na Alemanha, em percurso/distância semelhante. A terceira ferrovia situa-se entre Urumqi, capital da província de Xinjiang, ao Norte, também a Duisburg. Desse grande porto fluvial alemão (talvez o maior do mundo), pelos 38 mil km da fantástica hidrovia Reno-Sena-Danúbio, os produtos chineses são distribuídos pelos países europeus. Circulando em velocidade média de 120 km/hr levarão entre 10/19 dias para chegar ao destino, menos da metade do tempo (e do valor) se a carga fosse transportada por via marítima.

Turismo

Na primeira Conferência Mundial do Turismo, realizada recentemente em Pequim, foram discutidas normas e medidas para desenvolver o setor, importante para a economia dos países. Durante a Conferência – patrocinada pela Organização Mundial de Turismo – foram divulgados dados que confirmam a China na liderança do setor. Desde 2012, tornou-se a nação que mais recebe turistas estrangeiros – incluindo Hong Kong e Macau que aparecem separadamente na estatística da OMT – e também a que mais envia visitantes ao exterior. Em 2015, a China recebeu mais de 100 milhões de turistas, que deixaram US$ 600 bilhões, sendo que somente em Macau, - com 30 milhões de turistas, cinco vezes mais que Brasil -, os seus 34 cassinos faturam cerca de US$ 30 bilhões/ano (5 vezes o total de Las Vegas). A renda das atividades turísticas já representa 10,5% do Produto Interno Bruto (PIB), correspondendo a 10,2% da população empregada.



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