Carlos Tavares: Na China, trem a 600 km/hora e as confiáveis entidades de navegação



TRENS CHINESES

Com a fusão das duas grandes fabricantes, a China North Railway e a China South Railway, formando a poderosa CRRC Corporation, o gigante asiático tornou-se o líder mundial da produção/exportação de trens. A China vende locomotivas/vagões para vários países (inclusive o Brasil), mas agora o seu principal cliente são os Estados Unidos.

Ano passado, a CRRC venceu concorrência no valor de US$ 1,3 bilhão para entrega de 846 trens do metrô de Chicago, derrotando a antiga e vizinha fornecedora a canadense Bombardier. A fábrica chinesa – montada em Springfield, criando milhares de empregos – está também produzindo trens para os metrôs de Boston, Nova York e Los Angeles. Nesta última cidade, com o melhor projeto, a CRRC, terá fábrica para montar o seu trem-bala, o primeiro dos EUA. Atenção, Donald!

FERROVIAS

Com a tecnologia mais avançada do setor, a China dispõe da maior rede ferroviária mundial, que agora se estende rapidamente para o exterior. Assim, utilizando o transporte ferroviário – com custo inferior ao rodoviário, marítimo e aéreo – o gigante asiático (e do comércio) exporta seus produtos com fretes mais baratos do que os dos concorrentes da América.

Ano passado, a Companhia de Ferrovias da China, com expansão de 126% sobre 2015, - e a rede totalizando 121 mil km - passou a ter linhas diretas de seus maiores centros industriais com 15 cidades europeias. Agora, em 18 de janeiro inaugurou inimaginável, alguns anos atrás, ferrovia direta com Londres, levando para o mercado inglês artigos domésticos, bolsas, sapatos, roupas, etc. O longo trem cargueiro, partindo de província industrial de Zhejiang, em 18 dias percorreu 12 mil km para chegar à capital inglesa, passando pelo Cazaquistão, Rússia, Bielorússia, Polônia, Alemanha, Bélgica e França. Não satisfeito, o diretor da CRRC,

Ren Jian, anunciou o lançamento, em breve, do trem com levitação eletromagnética, sobre trilhos, com velocidade de 600 km/h (linhas nacionais) e outro, normal e transnacional, circulando a 400 km/h. De Pequim, do amigo e ex-embaixador em Brasília, Chen Duqing, recebi relatório atualizado sobre a estrutura ferroviária chinesa.


NAVEGAÇÃO

As empresas de navegação marítima – importante modal de transporte da economia nacional, particularmente para as exportações, – oferecem bom exemplo, na defesa dos seus interesses. São apenas duas entidades que, em todo o território representam cerca de 100 empresas, necessariamente separadas por serem brasileiras ou estrangeiras, com navios de bandeiras dos respectivos países.

O Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) sediado no Rio, reúne 46 companhias nacionais, incluindo 9 que integram a Associação Brasileira de Armadores da Cabotagem (ABAC). Com quadro técnico competente, integrado por ex-oficiais da Marinha, o Syndarma dispõe de perfeitas condições não só de representar e dar assistência aos filiados, como também oferecer correta colaboração ao Governo.

A outra entidade, o Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), representando os armadores estrangeiros e localizado em São Paulo, embora com menos atividade, tem também correta orientação técnica.



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