Carlos Tavares: A importância dos correspondentes e a retirada dos políticos/licitações dos portos



CORRESPONDENTES

Não só no Brasil, mas também em outros países os correspondentes estrangeiros (de jornais, revistas, rádios e TVs) são importantes pela divulgação, no exterior, do noticiário que certamente influirá nas exportações, investimentos e turismo. Por essa razão, logicamente, são sempre bem tratados e recebidos. Nos Estados Unidos, por ex, anualmente, o presidente da República oferece na Casa Branca tradicional recepção, com convite pago, que rende milhares de dólares ao Press Club. De fato, no Rio e nessa linha internacional, duas instituições dão assistência à Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira – ACIE: a Confederação Nacional do Comércio, que há anos cede suas instalações para reuniões e o Banco do Brasil, onde, em sua sede, se localiza a Associação, que tem 120 jornalistas membros. No momento, a ACIE enfrenta grave problema financeiro, decorrente de alta dívida trabalhista e de conta em hotel da rede Accor (a qual se poderia transformar em bem-vinda doação). Como sócio honorário número 1 da ACIE – título recebido em 1971 pela colaboração – já dei minha modesta contribuição (R$ 2 mil) pelos bons serviços que presta ao País. Para informações/sugestões/doações, falar com Cristina, nos telefones (21) 3808-3382 e (21) 99967-9939, ou pelo e-mail acie@acie.org.br

SANTOS

Dois erros fundamentais - que não por caso se entrelaçam - continuam a encarecer e dificultar os serviços nos portos: a entrega da respectiva administração a políticos (ou a pessoas por eles indicadas) e as licitações financeiras. Essas duas falhas se juntam perfeitamente para facilitar as fraudes/corrupção registrados nos portos públicos. Agora mesmo, o Ministério Público do Estado de São Paulo investiga superfaturamentos em licitações da Cia. Docas (Codesp) que administra o porto de Santos. Instaurado em 2016, o inquérito, com centenas de páginas; em 10 volumes, refere-se a 16 contratos, totalizando R$ 468 milhões. Segundo a Tribuna, de Santos, além de 4 empresas estão envolvidos seis funcionários das Docas indicados pelo vice-governador do Estado e presidente do PSB (da base aliada), Marcio França. Vale registrar que, pela deplorável barganha política, o porto de Santos ficou com o PMDB, do antigo líder vitalício ex-deputado Michel Temer, então vice-presidente da República.

SOLUÇÃO

Para resolver o problema de forma total e definitiva, a solução é simples, lógica e bem conhecida. Em nenhum dos principais portos do mundo existe a nefasta interferência partidária na administração. Portanto, aqui deveria ser retirada. Quanto ás licitações financeiras – como os seus valores recaem forçosamente sobre a carga e onerando a exportação – inexistem nos portos do exterior. São vários os critérios para escolha da melhor proposta de concessão de terrenos para localização de terminais. As novas áreas do porto de Roterdã – como sempre conquistadas ao mar do Norte – foram cedidas a terminais registrados que haviam movimentado mais de 2 mil contêineres no ano anterior. E, na França, para expansão do Le Havre, somente foram aceitas propostas apresentadas por consórcios de armadoras (proprietárias de navios) com operadoras de terminais.



menu
menu