Carlos Tavares: Novidades na relacão China-EUA e o turismo inexpressivo sem a volta dos cassinos



CHINA/TRUMP – 1

Logo nos primeiros dias do seu governo – contrariando as ameaças eleitorais da campanha – o presidente Trump em carta ao presidente Xi expressava sua real vontade ao afirmar que desejava “desenvolver uma relação construtiva do benefício mútuo entre os dois países”. De fato, na área econômica foram várias as medidas e resultados registrados que demonstram essa correta orientação. Inclusive, sempre é bom lembrar a influência decisiva, no particular, das grandes multinacionais americanas – majoritárias no intercâmbio comercial China/EUA – e do Partido Republicano, que promoveu esse próspero reatamento econômico, em 1972, pelas mãos do seus líderes ex-presidentes Nixon e Bush (primeiro embaixador em Pequim), além do secretário de Estado (Kissinger). O primeiro resultado altamente positivo foi o crescimento recorde de 21,9% na balança comercial (exp/imp) entre os dois países, em janeiro. No início, ao organizar o governo, Trump nomeou secretária (ministra) dos Transportes, a chinesa Elaine Chao (esposa do líder do Partido no senado, Mitch McConnell) a qual cabe controlar os investimentos e importações de trens da China – atingindo cerca de US$ 2 bilhões – para os metrôs de Nova York, Boston, Chicago e outras cidades, além do projeto para o trem-bala em Los Angeles, o primeiro dos EUA. Ao todo, os investimentos e exportações para a China sustentam 2,6 milhões de empregos nos EUA.

CHINA/TRUMP – 2

Paralelamente, em medida bem significativa, semana passada, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA decidiu não cobrar tarifa anti-dumping nem imposto compensatório (chegariam a 65,4%) sobre a importação de pneus chineses para ônibus/caminhões, a qual gira em torno de US$ 1,5 bilhão. Por seu turno, a multi Mc Donalds , líder do fast-food – que já tem 2.640 restaurantes na China – acaba de formar a CITIC, empresa de franquia, que, nos próximos cinco anos, criará mais 1,5 mil casas no território chinês. E, em fim de fevereiro, outra importante multinacional americana, a cadeia de lojas Walmart – que já possui 400 sucursais na China – apresentou plano para, este ano, ter mais 40 representações. Na mesma linha a Starbucks vai dobrar o total da rede para chegar a 5 mil bares em 2021. O resultado – auspicioso, aliás - dessa extraordinária expansão de negócios e investimentos de ambos os lados, foi o crescimento da opinião do povo americano favorável à China, de 41% para 44%, o maior índice dos últimos 30 anos, segundo pesquisa da Gallup, no fim de fevereiro. Na realidade, Trump, pode até ser louco, mas não chega a rasgar notas de cem dólares, nem tampouco as de yuans.

CASSINOS

Agora no verão, tempo de férias, sente-se, mais forte ainda, a falta de jogo legalizado, com a volta dos hotéis-cassino. Como novidade, seria a entrada de navios de turismo/cassino de empresas de navegação nacionais. Atualmente fervilham de brasileiros (com freqüência de 70%) não só os hotéis-cassinos da Argentina, Uruguai e Paraguai, como as dezenas de transatlânticos de turismo, com cassinos, que circulam lotados pelo litoral. Assim, com plena ciência do governo, estão os brasileiros contribuindo pesadamente para os paises vizinhos como também para os que registram esses navios/cassinos. Será incalculável a perda em bilhões de doláres/reais com a nefasta determinação de fechar os cassinos da beata dona Santinha, esposa do general-presidente Dutra, há sete decadas. Antes de 1940, com seus magníficos hotéis-cassinos Copacabana Palace, Atlântico, Urca e Quitandinha (em Petrópolis), o Rio era uma das “10 cidades mais visitadas do mundo”, e agora despencou para a 92º colocação. O outro dado impressionante, é que caiu para apenas 0,3% a participação do turismo no PIB nacional, enquanto na China, esse índice chega a 12% com a providencial ajuda da rede de 37 hotéis-cassino de Macau, a maior do planeta. O novo Plano Quinquenal chinês prevê que em 2020 a renda do turismo chegará a incrível soma de 1 trilhão de dólares. Por fim, entre os 200 países da ONU, sem cassinos, situa-se o Brasil na incômoda companhia da Bolívia, Cuba e Haiti, na America e na Ásia, das nações islâmicos. Atenção, ministro Marx, do Turismo.



menu
menu