Carlos Tavares : A federação das 650 milhões de mulheres chinesas e o relatório da ONU

MULHERES

Como feminista convicto, acompanhei de perto as manifestações do Dia das Mulheres (8 de março), principalmente no Congresso, com os justos registros queixosos da falta de representação feminina na vida político-administrativa do País. De fato, isso existe e o melhor exemplo está no próprio Congresso: na Câmara apenas 9% são mulheres e no Senado 16%. Entre os países da ONU, o Brasil situa-se em longínquo 155º lugar quanta a representação feminina no Legislativo. Porém, contando com a maioria da população e do eleitorado com o voto-livre, as mulheres são, em parte, culpadas dessa odiosa discriminação, pois sempre preferem eleger os homens. O cúmulo é que em 1291 municípios, apesar de terem a maioria do eleitorado, não elegeram sequer uma mulher para as respectivas Câmaras. Caso elas participem mais da política, a corrupção seria reduzida.

NA CHINA

Com a maior população feminina do planeta – mais de 657 milhões de pessoas, 48% do total – a China tornou-se também o país onde as mulheres têm os seus direitos melhor reconhecidos. Em consequência do alto nível educacional/cultural dessa enorme população – analfabetas apenas as crianças recém-nascidas – tem a China o maior número de engenheiras, médicas, professoras, economistas, jornalistas, oficiais-generais (exército, marinha e aeronáutica), entre outras profissões. E, entre o crescente importante grupo empresarial que passou a operar pela internet, 55% são mulheres, que, também, compõem 45% (346,4 milhões) das pessoas empregadas. Unidas, bem organizadas e sem divergências religiosas – apenas 4% da população seguem algum credo – no mesmo ano da proclamação da República Popular, criaram em 3 de abril de 1949 a Federação de Todas as Mulheres da China, para “defender os direitos e interesses da mulher e promover a igualdade entre a mulher e o homem”. A Federação dispõe de imponente sede em Pequim, com canal de TV, duas revistas e site na internet (www.womenofchina.com). Sua presidente, Shen Yueyue, é vice-presidente do poderoso Comitê Permanente da Assembléia Popular Nacional, que acompanha e fiscaliza as ações do governo durante todo o ano.

ONU MULHERES

Ainda por conta do Dia Internacional das Mulheres, na semana passada, duas importantes organizações, a ONU Mulheres e a União Inter-parlamentar, em Nova York, divulgaram interessante Relatório que, de forma surpreendente, revela: “O número da participação feminina na política ainda precisa ser melhorado”. No “Mapa das Mulheres na Política”, elas aparecem com apenas 18,3% nas áreas governamentais e 23,3% nos parlamentos. No momento existem somente 17 dirigentes femininas de Estado ou de Governo (presidente e primeiro-ministro) e, em todo o mundo, mais de 200 países, apenas 732 são ministras (nenhuma brasileira). O secretário-geral da União assinalou que a situação melhorou um pouco na América Latina, África, e países nórdicos, mas ficou estagnada nos Estados Unidos e Inglaterra. E salienta que “todos os partidos têm responsabilidade para promover a igualdade de gênero na política”. Bom conselho para os partidos brasileiros.



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