Carlos Tavares: PEC decisiva redime Congresso e Hong Kong é porto chinês

PEC SALVAÇÃO

A propósito dessa condenável interferência política na administração/fiscalização, com evidentes prejuízos ao País – revelada na operação Carne Fraca, na Lava-Jato e outras – o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), anunciou a coleta de assinaturas para oportuno projeto de PEC (Proposta de Emenda Constitucional) de alto interesse nacional. Na apresentação – em louvável e raro procedimento de político – desculpou-se, reconhecendo que, como no Paraná (onde se iniciou a Carne Fraca), e em outro Estados, também por orientação partidária, em Tocantins havia indicado o titular do Instituto de Reforma Agrária (INCRA). Na sequência, esclareceu que a proposta visa impedir que os partidos políticos continuem interferindo na fiscalização de orgãos públicos. No combate à corrupção o projeto é significativo, de interesse da área empresarial, particularmente no setor portuário, por onde circulam bilhões, de reais e dólares, inclusive nas nefastas licitações de áreas para os terminais, com a administração dos portos públicos e as Cias Docas entregues aos partidos e seus indicados. A aprovação dessa providencial PEC poderá não só oferecer novos rumos à política nacional como recuperar a abalada credibilidade do Congresso junto à opinião pública. E será também o lado bom e forte da Carne Fraca. Parabéns, senador.

JOGO

Com os cortes no Orçamento, a ameaça de novos impostos e o alto nível do desemprego, tornou-se o momento mais que oportuno para reabertura/legalização dos jogos de azar, basicamente dos cassinos nos hotéis. A partir da década de 1940 – quando por inspiração religiosa de sua esposa – o general-presidente Dutra decretou a proibição dos cassinos (roletas), os outros jogos continuaram (loterias, corridas de cavalo, bicho, maquinetas, etc.). E os brasileiros que prefiram as roletas continuaram jogando nos cassinos dos vizinhos Argentina, Uruguai e Paraguai (onde a frequência deles chega a 70%), ou nos transatlânticos de turismo que circulam pelo litoral. Só que a arrecadação de impostos, o lucro das empresas e os empregos vão para fontes estrangeiras no exterior. Agora o ardor religioso parece ter diminuído, com maior tolerância, embora tenha sido eleito um bispo para prefeito do Rio e outro para liderança do Governo na Câmara. E também permanecerem os emblemas religiosos, em destaque, por todos os tribunais de Justiça, inclusive no próprio STF. Assim, após essas sete décadas de incalculáveis perdas econômicas – com o Brasil caindo para os últimos lugares nos índices de turismo, com faturamento de apenas 0,3% do PIB – espera-se que o Congresso, em momento de lucidez, aprove a reabertura dos cassinos, permitindo aos brasileiros os mesmos direitos existentes nos países desenvolvidos e muitos outros.

BRASIL - CHINA

Em substancial ajuda à combalida economia / finanças nacional, nos primeiros meses do ano (jan/fev) a China praticamente dobrou suas importações do Brasil, com crescimento de 94,3%, totalizando US$ 6,2 bilhões. Os destaques, pela ordem, foram os embarques de petróleo, minério, polpa de madeira e carne bovina. A China tornou-se o maior importador da carne brasileira, totalizando mensalmente 80 mil/ton, chegando a US$ 2 bilhões, em 2016. Equivocadamente parte da mídia local coloca a China em 2º lugar e o porto chinês de Hong Kong em primeiro, que recebe a carne para o Sul do país. Em noticiário discreto, para não assustar o consumidor, a imprensa chinesa informou que “o Brasil suspendeu a exportação de 21 frigoríficos”, mas também divulgou solicitação do ministério do Comércio para que “o governo brasileiro faça uma pesquisa completa e tome medidas concretas para garantir suas exportações de carne à China”. E, também, “que os infratores sejam punidos rigorosamente”, providência mais difícil, com a fiscalização indicada por políticos. Em medida simpática, foi a China o primeiro país a suspender o embargo às importações de carne brasileira. Em nota, o presidente Temer agradecendo, assinalou: “Estamos confiantes que outros paÍses seguirão o exemplo da China”.
A propósito, cumprimentos também ao dep. Fausto Pinato (PP/SP) pela criação da Frente Parlamentar Brasil-China.



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