Ernane Galvêas: Sufoco da Petrobras

Ainda não terminou a via crucis da Petrobras, iniciada no reinado dos presidentes Lula e Dilma. A empresa, embora reconhecida sua recuperação administrativa, sob o comando de novos e competentes diretores, continua sofrendo a “perseguição” de alguns setores da burocracia oficial.

Desde meados de março, está parada a plataforma P-66, no Campo Lula, na Bacia de Santos, à espera da licença ambiental de operação, ocasionando perda de 50 mil barris diários de petróleo, um prejuízo de cerca de US$1,5 milhão por dia.

NOTA ZERO para o IBAMA.

CRÉDITO BANCÁRIO

É improvável que o mercado de crédito volte a crescer neste ano, pois ainda falta demanda para as operações. O crédito ainda não recuperou seu volume, embora tenha parado de cair “tanto” em fevereiro. Em março, o estoque ainda pode ter um pequeno recuo. Os bancos ainda não estão concedendo crédito novo às companhias envolvidas na Lava-jato. Estão apenas alongando as linhas já existentes. Crédito novo depende de projetos e essas empresas estão encolhendo.

(Luiz Carlos Trabuco – Presidente do Bradesco)

EXPECTATIVAS PARA 2017

Neste início do ano, há fortes sinais positivos em três áreas principais: inflação em queda, juros em baixa e produção agropecuária recorde.

Em janeiro, o consumidor mostrou-se mais confiante, segundo a FGV. O mesmo anuncia a CNI, o que não coincide com o humor dos comerciantes, segundo a CNC. No âmago dessa questão está o desemprego, que representa um freio à retomada das atividades econômicas.

O dado mais significativo é o que se refere aos investimentos, refletidos na queda da produção de máquinas e equipamentos, como se vê no quadro abaixo:

Rota de Estabilização

Desempenho da produção industrial por grandes categorias – em %



Alguém saberá dizer de onde virão os incentivos ao emprego e à retomada do consumo?

REFORMAS DE BASE

O Governo federal decidiu aguardar a votação das reformas trabalhista e previdenciária para voltar a discutir uma proposta de mudanças no sistema tributário e que é melhor tratar uma reforma de cada vez, ou uma reforma fatiada. A primeira parte seria a simplificação do PIS e depois da COFINS, com mudanças no ICMS no segundo semestre. Segundo consta, por enquanto, a reforma tributária não será tratada.

No caso da Previdência, o Presidente Michel Temer cedeu às pressões da base aliada no Congresso e autorizou mudanças em cinco pontos da proposta da reforma, que vão reduzir em pelo menos 17% a economia que o Governo projetava para os próximos dez anos nos gastos com o INSS, ou cerca de R$ 115 bilhões. As mudanças serão nas regras para trabalhadores rurais, nos Benefícios de Prestação Continuada (para idosos pobres e deficientes), nas pensões, nas aposentadorias de professores e policiais e nas regras de transição para o novo regime previdenciário. O Governo já havia retirado da proposta os servidores públicos estaduais e municipais, com o mesmo objetivo de facilitar a reforma.

Resumo: o Governo está perdendo importante espaço na Reforma Previdenciária.

No que tange à Reforma Política, nossa opinião pessoal é que sistema eleitoral tem que mudar, porque as eleições têm um custo extremamente alto, que está na raiz da corrupção, que lavra no sistema político. Segundo se sabe, a eleição de um deputado ou senador no Rio de Janeiro custa entre R$ 8 milhões e R$ 15 milhões. Como o financiamento das campanhas era, forçosamente, bancado pelas empresas, com vistas aos contratos públicos de obras e serviços, o resultado era a propina e a corrupção deslavada. O financiamento das empresas foi proibido. E agora? Agora, as campanhas deverão ser financiadas pelo Fundo Partidário, que sairá do bolso de todos os contribuintes. Por isso, o sistema eleitoral tem que mudar.

Votar na lista fechada significa estar votando em algum candidato reprovável, no qual não votaríamos nunca. Certo. Mas se isso acontecer, não votaremos no Partido que abriga o seu nome. Assim sendo, é evidente que os partidos terão todo interesse em atrair e listar os melhores candidatos, o que garante o mérito da proposta.

Em paralelo com a lista partidária, é imperioso aprovar a “cláusula de barreira”, com o objetivo de reduzir o número de Partidos, de 35 para, digamos 12, com proibição das coligações.

Alguns políticos veteranos rejeitam a proposta da lista partidária e aconselham o sistema distrital como igualmente redutor dos custos. Não se pode confiar nessa alternativa e tudo indica que, neste caso, os custos continuarão nas alturas.



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