Carlos Tavares : Contribuição chinesa no PIB brasileiro e Temer em Santos

CHINA

Ao contrário do que o noticiado na imprensa local, após o primeiro trimestre de alta (6,9%) até acima da meta de 6,5%, a economia chinesa continuou crescendo entre abril/maio. Apenas, atendendo a apelos internacionais, foram reduzidas as produções de carvão (em 46%) e de aço (63%), sem alteração no índice econômico básico. Até maio, as exportações, crescendo 14%, somaram US$ 890 bilhões, e as importações, subindo 26%, chegaram a US$ 730 bilhões, com a criação de mais de 4,6 milhões de postos de trabalho. A China assumiu a liderança do ranking de crescimento mundial, ficando a Índia em terceiro e os EUA em quinto.

CHINA E O PIB

O auspicioso e inesperado crescimento de 1% do PIB brasileiro no primeiro trimestre decorreu do aumento da produção agro-pecuária destinada ao mercado chinês, como a soja (safra e embarque recordes), carnes e celulose. Com os produtos agro-pecuários, mais o petróleo e minério de ferro – que ainda tiveram seus preços-médios elevados em cerca de 19% - as exportações para China, principal importadora de produtos nacionais, até maio, registraram crescimento excepcional de 41%, somando US$ 22 bilhões. Também até maio, as exportações gerais brasileiras, com alta de 18,5%, totalizaram US$ 87,9 bilhões, e as importações aumentaram 8,4%, chegando a US$ 58,9 bilhões. A propósito, dentro do habitual e lamentável preconceito, a mídia local, o ministro Meirelles e o próprio presidente Temer (altamente beneficiado) esqueceram de mencionar a decisiva contribuição da China no crescimento do PIB. Em louvável procedimento, o governo de Pequim não considerou a mudança politico-ideológica no Palácio do Planalto.

PORTOS

Como um dos setores mais disputados na deplorável barganha política, os portos e as Cias Docas ficaram com o PMDB. Assim, ano passado, sob a orientação do líder vitalicio do Partido, em São Paulo, o então vice-presidente Temer, foram indicados os dirigentes e executivos da Docas de Santos. Não demorou, estourou um escândalo, com inquérito na Code SP, instaurado pelo Ministério Público paulista, envolvendo o vice-governador do Estado (presidente do PSB) e várias empresas, totalizando R$ 460 milhões. Por outro lado, na delação do diretor Ricardo Saud, do JBS, na citação dos destinatários das propinas negociadas com as empresas vencedoras das licitações ou concessionárias do porto, “o dinheiro seria repartido entre Temer, Azeredo e um tal de Lima.” (Valor, 3/6/17). E, no discutido bloco das perguntas da Polícia Federal não respondidas pelo presidente Temer, seis referiam-se as relações com o segmento portuário.

A propósito essas indevidas licitações financeiras nos portos, como seu custo recai forçosamente sobre a carga (exportação/importação), e inexistente em outros países, provoca dois erros gritantes. Em primeiro,, a alta movimentação de dinheiro atrai logicamente a nefasta participação dos politicos, facilitando a corrupção e fraudes. O outro inconveniente é que, como as licitações são pagas pelos terminais portuários e seus custos, repassados nas faturas dos serviços aos exportadores, acabam sempre aumentando o preço final dos produtos adquiridos pelos importadores. Desnecessariamente, contrariando o programa de estimulo à exportação.



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