Economia pode influenciar eleições de 2018, avaliam especialistas

A recuperação ou agravamento da política brasileira devem influenciar as eleições presidenciais de 2018, avaliaram os economistas Armínio Fraga, Marcos Lisboa e Zeina Latif, durante debate que aconteceu durante a Expert 2017, evento que acontece nesta quinta-feira em São Paulo. “Se a economia estiver melhor no ano que vem, pode elevar as chances de elegermos um presidente conectado com a necessidade de reforma”, defendeu Zeina Latif, enfatizando a necessidade de uma melhora perceptível na economia no curto prazo.

Armínio Fraga, contudo, questiona essa afirmação. Segundo ele, uma economia indo bem poderia trazer de volta “políticos que já conhecemos, enquanto um cenário mais conturbado, em que as coisas esquentem mais, poderia fazer surgir alguém com uma visão mais bacana, com ideias que podem fazer com que o Brasil se reoriente”.

Para Armínio Fraga, o governo atual apresentou propostas positivas, porém que só trarão benefícios em “dez ou quinze anos, enquanto não podemos ver com clareza o que vai acontecer nos próximos 18 meses”.

Marcos Lisboa lembra que os problemas enfrentados atualmente não são novos. “Estavam já em 2013, 2014. A eleição de 2014 foi uma negação, o debate político ignorava o problema fiscal e da previdência”, disse. Contudo, o economista afirma que apesar de haver um entendimento de que algumas reformas são necessárias, ainda há resistência para aprovar outras reformas como o ajuste da previdência de servidores públicos.

Não há dúvidas entre os três economistas sobre a necessidade de reformas – tanto as macro quanto microeconômicas. “A agenda de hoje é a agenda da década de 1990, mas os problemas foram crescendo e ficaram mais óbvios”, disse Armínio Fraga. Nesse cenário, ele diz que “a chegada de um novo presidente será importante” para promover todas as reformas necessárias.

Para Armínio Fraga, há muito a ser feito para que a economia volte a crescer, mas assim que forem feitas as reformas, “não seria um absurdo esperar um crescimento de 5% ao ano”. Ele lembrou, contudo, que a regra do “teto do gastos é insustentável sem muitas mudanças e reformas na economia”.

Quanto à necessidade de reformas, ele enfatizou: “Sem sacrifícios organizados, os sacrifícios desorganizados serão muito maiores”. Os sacrifícios desorganizados, segundo ele, seriam o desemprego e o aumento da inflação.

Para a economista-chefe da XP investimentos, contudo, a crise teve um efeito positivo: “o debate avançou, a crise forçou brasileiro a mudar concepção. A ideia de um governo forte que decide onde serão alocados os recursos, quais os setores e quais as empresas serão os grandes vencedores, vem perdendo espaço”. Segundo ela, não há possibilidade de um governo se pautar no populismo tradicional de “abrir os cofres”, porque “o dinheiro acabou”.

“O setor privado é tão culpado pela crise quanto o governo”, defendeu Lisboa. “O BNDES gastou bilhões de dólares, para que mesmo?”, questionou.

Segundo Zeina, a economia está estabilizando, “tivemos reorientação importante da política econômica. Em 2014, estávamos em um quadro de risco de colapso, de espiral inflacionária e não se enxergava o fim da crise”. Hoje, contudo, o cenário é muito mais favorável, apesar de as sucessivas crises políticas travarem o avanço da pauta de reformas.

Marcos Lisboa, contudo, não tem uma visão tão positiva. Segundo ele, “até algumas semanas atrás, cenário ia bem”, mas os acontecimentos recentes fizeram com que o governo alterasse a política econômica. “Começou-se a discutir uma agenda que tem mais a ver com o governo anterior, a agenda boa que estava avançando deixou de avançar”.

Quanto ao crescimento do país antes da crise, Zeina opinou: “acho que o boom de commodities s e petróleo nos fez mal. É igual jogador de futebol que fica rico rápido”. Juntou-se a isso, segundo ela, “uma oposição omissa, uma população deslumbrada e um setor produtivo que se aproveitou. Assim, ficamos apáticos ao ver a Petrobras ser dizimada”.



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