Ernane Galvêas: Política X Economia



É evidente que a confusão política está freando e retardando uma possível recuperação econômica que, em princípio, depende fundamentalmente da aprovação do projeto de Reforma da Previdência Social. A oposição ao Governo Temer, especialmente os políticos de esquerda, está visivelmente apostando no “quanto pior melhor”. É por aí que o PT pensa voltar ao Poder, agora liderado por José Dirceu em parceria com Lula.

Em recente Reunião do Diretório Nacional do PT, disse Lula que:

“Pensávamos o Brasil para 2022, mas não conseguimos construir nosso projeto... Tudo que construímos – o direito de greve, as conquistas sociais no trabalho – eles estão desmontando ... Não podemos aceitar que façam o ajuste em cima daqueles que são as maiores vítimas dos erros do Governo, os trabalhadores. Agora, eles estão desmontando o nosso País.”

Para quem se preocupa com o bem estar do País, é importante recordar o que foi a administração pública no Governo PT/Lula/Dilma que deu origem à Lava Jato e às delações premiadas com dezenas de prisões de executivos, empresários e políticos.

Ao consagrar-se vitorioso na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, que recepcionou a denúncia formulada pelo Procurador Geral da República Rodrigo Janot, o Presidente Michel Temer, a despeito das críticas pelas manobras realizadas, revelou uma grande capacidade de liderança e de prestígio junto às bases políticas.

A denúncia segue para votação em plenário no próximo dia 2 de agosto.

O QUADRO ECONÔMICO

A economia brasileira, hoje, é como um “barco encalhado”, e o setor político, de um modo geral, vem colocando mais cargas a bordo. Alguma coisa é preciso ser feita. É mais lógico fazer alguma coisa, do que não fazer nada.

O Presidente Temer assumiu com enorme disposição para consertar a casa das máquinas e desencalhar o barco. O que podemos fazer? Podemos fazer uma campanha de condenação dos muitos responsáveis por todos os desastres e, ao mesmo tempo, uma demonstração de apoio e cooperação aos poucos que estão empenhados na tarefa de recuperação. Atualmente, importa menos o destino de Temer do que a manutenção da equipe econômica comprometida com o Programa de Reformas.

Alguém já comparou a situação do País com a de um doente que tomou overdose de remédios errados, caiu em anemia profunda e foi parar no CTI. Agora, precisa de uma transfusão de sangue, que corresponde ao pacote de medidas que o Governo está presentando ao Congresso Nacional.

Podemos ser contra? Podemos. Mas necessariamente temos que admitir que, negando nossa cooperação, vamos ficar também responsáveis pela falta de solução.

O GOVERNO TEMER

A crise político-econômica teve origem na assunção ao poder pelo PT- PMDB, que promoveram o aparelhamento do Estado, com o objetivo de fraudar e apropriar-se de enorme soma de recursos desviados da Petrobras, do BNDES e outras instituições públicas. De um lado, a operação Lava Jato teve o grande mérito de dar um basta nessas distorções e ilegalidades, julgando e condenando os principais responsáveis, em processos que ainda não chegaram ao fim.

De outro lado, temos a resistência das grandes corporações de políticos, funcionários públicos, empregados e empregadores que se apropriaram de fartos privilégios e direitos “mal adquiridos” e, hoje, se recusam a aceitar qualquer reforma ou mudança capaz de corrigir as distorções. Veja-se o caso, por exemplo, dos projetos de reforma trabalhista e da previdência social, que estão sendo deformados, sob argumentos injustificáveis dos privilegiados de plantão.

Já se disse aqui neste espaço que o grande mérito do Presidente Michel Temer foi desaparelhar o Estado, nomeando pessoas preparadas e reconhecidamente honestas para dirigir as grandes empresas estatais, como a Petrobras, a Eletrobras, o BNDES, o Banco do Brasil e outras instituições públicas.

ATIVIDADES ECONÔMICAS

A solução da crise econômica depende em grande parte de que a política não contamine a economia. O tombo da inflação, contas externas cada vez melhores, reservas de US$ 377 bilhões, o recorde do agronegócio, a retomada dos leilões de concessão contrabalançam em parte o quadro geral em que predomina o desemprego de 13,8 milhões, a recessão que já dura três anos e a deterioração das contas públicas.

A recente crise política influenciou negativamente o resultado do Índice de Confiança Empresarial (ICE). O indicador recuou 2,1 pontos em junho, para 83,9 pontos, atingindo o menor patamar desde fevereiro. A queda de junho interrompe uma sequência de cinco altas consecutivas do ICE. Caso esta tendência de queda da confiança não seja revertida, o mau humor se refletirá no dia a dia das empresas, levando, por exemplo, a revisões de contratações anteriormente planejadas ou postergações de investimentos, tornando ainda mais lenta a recuperação da economia.



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