Carlos Tavares: Paralisada a PEC do senador Ataides e a contribuição da China

VERGONHA

Trazendo de volta a operação Carne Fraca, a recente delação premiada do presidente da JBS, Wesley Batista, revelou que cerca de 200 fiscais do Ministério da Agricultura vinham recebendo propina mensal de até R$ 20 mil para facilitar a venda do produto sem condições, nos mercados interno e externo. A notícia reforçou a suspensão da importação de carne bovina pelos EUA e pedidos de explicações de outros países. Felizmente as exportações para China – que dispõe de rigorosa fiscalização própria nos portos de embarque e desembarque – não foram afetadas. Lamentavelmente, não avançou a oportuníssima Proposta de Emenda à Constituição (PEC), do senador Ataídes (PSDB-TO), proibindo a indicação de partidos e políticos para cargos técnicos de administração/fiscalização da esfera federal. Em 23 de março, revoltado com os resultados da operação Carne Fraca, ao anunciar a proposta e pedir a assinatura de pelo menos 27 colegas, o senador Ataídes declarou: “Temos que acabar com isso. Os ministros tem que colocar pessoas técnicas, ilibadas e competentes, com história de vida limpa.” Quantas assinaturas terá o senador colhido para essa importante PEC?

BRASIL-CHINA

No primeiro semestre, permanecendo como principal importador de produtos brasileiros, o gigante asiático recebeu 25% das exportações no total de US$ 26,9 bilhões. Paralelamente, intensificou seus investimentos, que somaram a efetiva entrada de US$ 6,1 bilhões, afora vários projetos. Nas exportações, os destaques foram para soja, com US$ 12,9 bi; minério US$ 5,5 bi; petróleo US$ 4,2 bi; celulose US$ 1,2 bi e a carne bovina, que sem interromper os embarques, registrou US$ 400 milhões. Sem dúvida, as importações chinesas com extraordinário crescimento de 36% (e o alto superávit de US$ 14,7 bi até junho) sustentando os bons resultados do setor agropecuário, evitaram a queda maior da economia.

JUSTIÇA

Aspecto peculiar do secular intercâmbio Brasil-China – nascido em 1809 por intervenção dos portugueses de Macau – tem evoluído colocando sempre os interesses do Estado e do comércio acima dos políticos. Em 1974, em pleno regime militar,, o pragmático general Geisel restabeleceu as relações diplomáticas/econômicas e logo foi enviada missão comercial à China. Com a passagem para o regime democrático e a chegada do operário Luiz Inácio (PT) e depois de Dilma Vana, as exportações/intercâmbio cresceram, situando a China como principal parceiro comercial. Em abril de 2011, em Pequim, realizou-se monumental seminário, com a presidente Dilma à frente de numerosa missão comercial e a incrível participação de mil empresários chineses, e ao qual participei. Para finalizar, é justo também assinalar o correto procedimento do governo chinês que, sempre colocando os interesses de Estado/econômicos (e do povo) – de ambos os países – em nível superior, tem mantido e até aumentado as exportações e investimentos. Para melhor avaliação do relacionamento econômico entre as duas nações, a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, situado apenas na 16º colocação no ranking do gigante asiático.



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