Ernane Galvêas: O drama da saúde no Brasil

A Constituição de 1988 assegura, em seu artigo 6º e na EC nº 90/2015, como direitos sociais do povo, entre outros, a educação, a saúde, a segurança pública. Lamentavelmente, a desídia e a incompetência da administração pública rasgaram a Constituição. Nos últimos anos, esses três setores estão de tal forma descuidados que os programas respectivos registraram os piores resultados. A educação em todos os níveis de ensino é péssima e o Brasil ocupa um dos últimos lugares no contexto internacional. A segurança pública é um descalabro, uma guerra permanente entre muitos bandidos e poucos policiais, levando a insegurança, a intranquilidade e o luto a milhares de lares, especialmente aos segmentos mais pobres da população.

Considerando todas essas circunstâncias, nossa opinião é que a saúde ocupa lugar de destaque pela carência dos serviços e, em alguns casos, desprezo pela dignidade humana. No quadro geral, é impressionante tomar conhecimento, pelos jornais e televisão, dos casos dramáticos de crianças que morrem na porta dos hospitais, mulheres grávidas que dão à luz nos corredores das enfermarias, da falta de remédios para os pobres ou de atendimento médico para os velhos. Esse descaso fatal, odioso e inaceitável, é um retrato doloroso, nos últimos anos, dos Governos incompetentes e desonestos.

Em Mato Grosso, um diretor de hospital deu um depoimento terrível da situação: “O caos já chegou. Não há comida, nem gás para cozinhar. Falta material na enfermaria, na UTI e no centro cirúrgico. É uma tristeza ver essa situação, depois de 30 anos de formado”.

No Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, o Governo demitiu 73 médicos e, agora, faltam médicos e sobram ratos no depósito de mantimentos (O Globo – 22/7/2017).

Mesmo diante de tal descalabro, alguns servidores públicos insistem na manutenção de descabidos privilégios, resistindo às reformas essenciais, como a da previdência social, e ainda não satisfeitos advogam absurdos aumentos salariais, como é o caso do MPF.

Mas há uma sinalização positiva. O Ministro da Saúde informa que já tem recursos disponíveis de R$3,5 bilhões para custear 6.000 serviços de saúde e mais 162 UPAs, para substituir 2.400 ambulâncias do SAMU e fazer um mutirão na cirurgia e compra de medicamentos. Atingimos média de 20% de redução no valor dos contratos, mantendo a mesma oferta de serviços. Sabemos que 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos nos postos, disse. No Rio de Janeiro, o Prefeito Crivella afirma a prioridade da saúde, informando que já reduziu em 27,5% o tempo de espera para consultas. Aleluia!

DESVIOS DO PT

Conforme informa o jornal O Estado de São Paulo, a passagem do Partido dos Trabalhadores (PT) pelo governo federal continua provocando efeitos nefastos para o País. O mais conhecido é a crise econômica, com suas consequências sobre o emprego, o consumo, o crédito, a atividade industrial.

Ao investigar os quatro maiores fundos de estatais e empresas de economia mista (Petros, Funcef, Postalis e Previ, do Banco do Brasil), a Operação Greenfield, da Polícia Federal, apontou evidências de “gestão temerária e fraudulenta”, além de desvios criminosos de R$ 8 bilhões na gestão desses fundos. Também o Tribunal de Contas da União e a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Fundos de Pensão, realizada em 2015, apontaram erros na sua administração. Seus gestores fizeram aplicações temerárias e duvidosas, que atendiam a interesses partidários, no Brasil e no exterior, como os investimentos em títulos públicos da Argentina e da Venezuela.

A CRISE POLÍTICA

A crise política responsável pelas incertezas que geraram a recessão econômica deve reverter esse quadro, pelos menos temporariamente, com a ajuda do milagre produzido pelo recorde histórico da safra agropecuária, que jogou a inflação para baixo, está gerando a criação de novos empregos e um extraordinário comportamento superavitário da balança comercial, com a expansão prevista de 24% das exportações, neste ano de 2017.

Nesse contexto, é evidente que aos aspectos políticos negativos se contrapõem os prenúncios de uma alvissareira superação da crise econômica, ainda que lenta.

Mas uma coisa é certa, como tudo indica, que as dificuldades políticas e um pesado processo judicial afastaram os resquícios da influência da esquerda petista e do ex-Presidente Lula.



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