Balança comercial tem maior saldo para o 1º semestre em 28 anos

As exportações brasileiras superaram as importações, resultando em superávit da balança comercial de US$ 23,63 bilhões no primeiro semestre deste ano, informou nesta sexta-feira (1º) o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Trata-se do melhor resultado para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, em 1989, ou seja, em 28 anos. Até então, o maior saldo para o primeiro semestre havia ocorrido em 2007, quando foi contabilizado um superávit de US$ 20,58 bilhões.

O resultado da balança no primeiro semestre é maior que o superávit registrado em todo ano passado (US$ 19,69 bilhões). No primeiro semestre de 2015, as exportações superaram as importações em US$ 2,28 bilhões.

Segundo o diretor do Departamento de estatística e Apoio à Exportação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Herlon Brandão, o recorde no superávit comercial no primeiro semestre está relacionado com a forte redução das importações por conta da crise econômica.

Ele observou que as exportações também caíram nos primeiros seis meses do ano, porém menos que as importações, por isso o resultado da balança foi positivo.

Brandão apontou que a economia mundial continua crescendo em ritmo fraco, mas acrescentou que o Brasil ainda é competitivo em seus produtos, o que contribui para aumento dos volumes exportados.

Questionado sobre a recente desvalorização do dólar, Brandão declarou que essas oscilações da moeda não influenciam o resultado dos negócios no curto prazo. Mas avaliou que uma mudança no patamar do dólar por um período mais longo pode impactar o resultado da balança comercial.

A desvalorização do dólar deixa os importados mais baratos e os produtos brasileiros mais caros lá fora.

Exportações e importações

Na parcial de 2016, as exportações somaram US$ 90,23 bilhões, com média diária de US$ 727 milhões (queda de 5,9% sobre o mesmo período do ano passado). As importações, por sua vez, somaram US$ 66,6 bilhões, ou US$ 537 milhões por dia útil, uma queda de 28,9% em relação ao mesmo período de 2015.

Nos seis primeiros meses deste ano, recuaram as exportações de semimanufaturados (-1,5%) e de produtos básicos (-7,9%) e também de produtos manufaturados (-4%). No caso das importações, houve queda nas compras de combustíveis e lubrificantes (-48,9%), de bens de consumo (-27,5%), de bens intermediários (-26,8%) e de bens de capital, que são as máquinas e equipamentos para produção (-19,9%).

Os números do governo mostram que o aumento do saldo comercial ocorreu, também, por conta da queda nas importações do petróleo e combustíveis. O déficit da chamada conta petróleo caiu de US$ 3,63 bilhões no primeiro semestre do ano passado para um resultado negativo de US$ 957 milhões em igual período deste ano.

Mês de junho

Somente em junho deste ano, ainda de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,97 bilhões, menor que o verificado no mesmo mês do ano passado (US$ 4,52 bilhões).

Em junho, as exportações somaram US$ 16,74 bilhões, com média diária de US$ 761 milhões, e queda de 18,6% sobre o mesmo mês de 2015. As importações totalizaram US$ 12,77 bilhões - com recuo de 19,3% sobre junho do ano passado.

Estimativas para 2016

A expectativa do mercado financeiro para este ano é de melhora do saldo comercial, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada. O próprio BC também prevê melhora no saldo comercial.

A previsão dos analistas dos bancos é de um superávit de US$ 50,7 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior para 2016. O Ministério do Desenvolvimento estimou um saldo positivo de US$ 45 bilhões a US$ 50 bilhões neste ano.

Já o Banco Central prevê um superávit da balança comercial de US$ 50 bilhões para 2016, com exportações em US$ 190 bilhões e importações no valor de US$ 140 bilhões.



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