Ernane Galvêas: Sinais da recuperação

SINAIS DA RECUPERAÇÃO

A crise político-econômica que se instalou no Brasil desde 2014, a mais grave de nossa história, tem duas versões: a versão política, que vem acompanhada da corrupção; e a versão econômica, expressa na recessão e no desemprego.

A duração da crise política pode ser aliviada a partir da próxima eleição. A corrupção foi atacada na base pela operação Lava-jato, que tem aplicado severas punições, inclusive prisão, aos políticos e executivos corruptos, assim como às grandes empresas associadas aos vergonhosos negócios da corrupção. A boa notícia vem do fato que nos últimos tempos, pela força da repressão, praticamente desapareceram essas operações fraudulentas.

A recuperação da crise econômica já está em marcha lenta, representada pela substancial queda da inflação, a expansão das exportações, a melhoria da produção industrial e do volume de vendas do comércio. O que ainda assusta é o alto nível do desemprego, cuja redução pode ser mais demorada.

Fica faltando um sentido maior da responsabilidade do Congresso Nacional para aprovar as medidas essenciais de reajuste, como a reforma da Previdência Social, sem o que todo esforço da política econômica fica prejudicado.

DESGOVERNO

Como é do conhecimento geral, a conjuntura político-econômica vem se agravando desde 2014, no Governo Dilma Rousseff. A assunção do Presidente Temer mudou o cenário, desde o momento em que, com a nomeação de uma nova equipe econômica, desaparelhou o Governo Lula-petista e abriu espaço para que a operação Lava-Jato fizesse uma “limpeza” nos meios políticos e empresariais, associados no incrível processo de corrupção que tomou conta do Brasil. O resultado desses desacertos foi a instauração da pior crise de nossa história.

Paralelamente, estamos assistindo, hoje, a um preocupante desentendimento entre os Três Poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, inclusive o Supremo Tribunal Federal. Isso evidencia uma situação de falta de governança no País, ou melhor, um desgoverno. Ainda bem que as principais instituições econômicas estão funcionando normalmente, como a Petrobras, a Eletrobras, o BNDES, o Banco do Brasil, o Banco Central, a CVM, o IRB e vários outros.

CONJUNTURA POLÍTICO- ECONÔMICA

Em uma análise sintática da conjuntura atual, é fácil perceber que a situação política piorou e continua piorando e a situação econômica melhorou e continua melhorando. A economia, inclusive o setor fiscal, só não tem uma melhora mais acelerada porque está travada pelo colossal déficit da previdência social, que por falta de responsabilidade o Congresso Nacional não deixa aprovar.

Há uma melhora acentuada nos níveis de desemprego, entre o segundo e o primeiro trimestre deste ano, puxada pela indústria, como se vê no quadro abaixo:



O déficit da Previdência Pública mais o INSS deverá chegar a R$150 bilhões neste ano, sobrecarregando o déficit fiscal do Governo Central, que chegará a mais de R$500 bilhões. Daí que faltam verbas para os gastos com a saúde, educação e segurança urbana. Só não vêem isso os beneficiários do sistema e os políticos do Congresso Nacional.

A IMPORTÂNCIA DO CRÉDITO BANCÁRIO

A eficiente atuação do Banco Central está condicionada ao controle do volume de crédito do sistema financeiro, que se opera mediante a utilização eficaz de três instrumentos de ação:

• A taxa de juros do redesconto;
• A mecânica dos depósitos compulsórios; e
• As operações de open-market.

Na atual conjuntura de crise, é importante usar o crédito com moderação, para estimular as atividades econômicas, levando em conta que são os juros dos financiamentos que estimulam ou desestimulam o consumo e os investimentos.

Ao que tudo indica, será uma atuação eficiente liberar parcialmente os depósitos compulsórios, como está sendo noticiado.

O MILAGRE DA AGRICULTURA

Para alegria de todos os brasileiros, na contramão da intensa crise econômica que tranquilizou o País, a agricultura nacional produziu 224 milhões de toneladas de grãos, na safra 2016/2017.
O resultado dessa fantástica produção se fez sentir em três frentes principais:

1. Contribuiu decisivamente para controlar a inflação, através da maior oferta dos produtos de alimentação;
2. Produziu uma expressiva expansão das exportações; e
3. Ajudou a minorar o problema do desemprego.

Surge, agora, o receio de que a próxima safra não repita os mesmos resultados da anterior, devido a piores condições climáticas.



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