Joaquim Levy: "Brasil está no caminho certo, mas falta planejamento"

O diretor financeiro do Banco Mundial (Bird) e ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o Brasil está no rumo certo quanto a medidas na economia. Segundo ele, a continuidade das políticas fiscais iniciadas em 2015, na sua passagem pela Fazenda, hoje está dando melhores resultados que se esperava. Para Levy, é preciso fazer um planejamento a longo prazo do Brasil, se pensando onde o país precisa chegar no futuro.

Levy participou ontem do Fórum IEL de Gestão, realizado pelo Instituto Euvaldo Lodi, entidade do Sistema Findes, que reuniu mais de 600 empresários para debater o cenário econômico e estratégias para o crescimento. Confira os principais pontos da palestra e da entrevista do diretor do Bird:

AVANÇOS

As reformas e os números mostram que estamos no caminho certo. A política fiscal que iniciamos começa a trazer resultados e temos que continuar nessa linha. As reformas, por exemplo, são medidas que o Banco Mundial tem acompanhado com interesse e que vemos que em muitos países têm apresentado resultados favoráveis, então certamente teremos avanços com elas aqui também.

TROCA DE RUMO

Em 2015 fizemos uma mudança de rota na condução da economia, quando a gente fez a avaliação de que o fim do ciclo das commodities exigia um realinhamento do Brasil, e que não era mais possível insistir em políticas insustentáveis. Na época, liberalizamos os preços da economia, criamos as condições para depois a inflação cair, e começamos a rearrumar a casa e mudar o jeito que as empresas estatais estavam funcionando, se permitindo ter mais eficiência na economia.

CONTINUIDADE

A agenda que começamos está sendo continuada, até pela necessidade. Inclusive, estão dando melhores resultados que se esperava.

PLANEJAMENTO

Precisamos implementar nos governos um conceito que já existe nas empresas, que é o coaching, fazendo um planejamento e pensando no futuro: onde o Brasil quer estar daqui a 10 anos, por exemplo? A partir disso, temos que pensar num plano de ações que permitirão irmos nesse caminho dentro desse prazo.

INVESTIMENTO

Boa parte da recessão se deu porque o investimento despencou. O setor privado já havia começado a reduzir o investimento desde 2013, quando se mostrou que o setor público não poderia manter isso de maneira artificial. Esse investimento volta, em grande parte, quando se estabelecer esse planejamento para onde se quer chegar e por quais meios.

REFORMAS

O mundo está transformando e o Brasil não pode ficar para trás, mas precisamos sair na dianteira, e as reformas são um importante passo para isso. A reforma da Previdência é importantíssima e desde quando estávamos no ministério falávamos sobre isso. Assim como já alertávamos para a mudança no mercado de trabalho, que foi contemplada agora com a reforma trabalhista.

ESPÍRITO SANTO

A gente olha para o Espírito Santo com muita confiança, porque é um Estado que tem vantagens claras comparado ao Brasil e que saiu na frente ao pensar a modernização. Então, é um Estado que vai sair na frente nessa retomada.

BANCO MUNDIAL

O Bird tem dois objetivos, que são a eliminação da pobreza extrema até 2030 e repartir a prosperidade, e isso você tem que fazer com políticas focadas cada vez mais na educação, ou seja, no aumento do capital humano. E estamos fortalecendo nossa parceria com o Brasil nesse sentido para alcançar o objetivo de acabar com a miséria no mundo até 2030.

EDUCAÇÃO

É preciso uma maior atenção dos governos e das empresas para a educação. Cada vez mais vai ser importante ter conhecimento e saber navegar nesse novo mundo. Quando se tem educação, isso se traduz em crescimento, mais riqueza e melhores condições de vida para a população do país.



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