Exportação e consumo aquecido elevam preços da arroba do boi gordo

O mercado físico do boi gordo teve preços mais altos nesta quinta-feira, 16. Segundo a Safras & Mercado, esse movimento tende a se intensificar neste último bimestre devido ao aquecimento sazonal da demanda típico do período.

O dia foi marcado pelo bom volume de negócios e pelas ofertas de compras firmes. O menor volume de boiadas e o encurtamento das escalas de abate é o quadro vigente na maioria das praças pecuárias.

Em Marabá (PA), por exemplo, a escala de abate atende a dois dias. Na região, a arroba do boi gordo está cotada em R$ 131,50, à vista, livre de Funrural. Essa oferta de compra representa uma alta nesta semana de 1,9%. É comum negócios fechados acima dos valores de referência.

Com relação ao consumo de carne bovina, o cenário também é de preços firmes. De acordo com a Scot Consultoria, o boi casado de bovinos castrados está cotado em R$ 9,46 o quilo, estabilidade frente ao fechamento de terça-feira, 14. Entretanto, na comparação com o início do mês, foi contabilizado uma alta de 2,5%.

No mercado externo o cenário também é positivo, caso o ritmo da exportação das duas primeiras semanas de novembro continue até o final do mês, o volume exportado poderá ser 66,2% maior que o de novembro de 2016.

Dólar e Ibovespa

Após três pregões consecutivos de alta, o dólar comercial encerrou a quinta-feira em queda de 0,96%, a R$ 3,280 na venda, com ajustes após o feriado da Proclamação da República e com investidores de olho na votação da reforma tributária nos Estados Unidos. No Brasil, também são esperadas novidades sobre a reforma previdenciária.

"Na terça-feira o dólar subiu com medo do exterior na véspera do feriado e agora só devolveu essa alta. Não havia nada para justificar essa elevação e o mercado não teve força para sustentá-la", disse o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel.

Além de se ajustar ao feriado, quando a B3 ficou fechada, o mercado acompanhou a votação do pacote fiscal do presidente Donald Trump, que foi aprovado na Câmara do país, minutos antes do fechamento do mercado de câmbio. A proposta, porém, ainda precisa ser aprovada pelo Senado. "No Senado, entretanto, a reforma deve ainda encontra resistência. Parte dos senadores mostra oposição a algumas das medidas propostas pela Câmara", destacou o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos.

Os analistas ainda destacam que será preciso avaliar a agressividade das
medidas da reforma e quando serão implementadas para medir o seu impacto na
atividade do país e, consequentemente, na elevação da taxa de juros. Uma
possível subida dos juros nos Estados Unidos atrairia recursos que poderiam ser alocados aqui para lá e uma tendência de alta no dólar no Brasil surge.

Já no mercado doméstico, estão sendo observados os movimentos do governo
para a aprovação da reforma da Previdência, com possibilidade de uma reforma
ministerial para que o projeto possa passar.

O Ibovespa encerrou com alta de 2,38%, aos 72.511 pontos. O volume negociado foi de R$ 9,265 bilhões.

Soja

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam em baixa. O resultado das exportações americanas na semana não empolgou e acentuou o movimento de correção dos preços. O clima favorável à safra do Brasil também pesou negativamente.

As exportações líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2017/2018, com início no dia 1 de setembro, ficaram em 1,1 milhão de toneladas na semana encerrada em 9 de novembro. Para a temporada 2018/2019, foram mais 72,1 mil toneladas.

Os analistas esperavam entre 1 milhão e 1,65 milhão de toneladas, somando as duas temporadas. As informações foram divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O plantio da soja para a safra 2017/2018 atingiu 23,8% da área na Argentina. Os trabalhos avançaram 11,8 pontos percentuais desde a semana passada e estão 0,4 pontos percentuais atrasados ante a safra anterior. A área é estimada em 18,1 milhões de hectares, representando recuo de 5,7% ante a safra anterior.

Nesta quinta-feira, 16, o mercado interno de soja manteve o ritmo lento nas diversas praças de comercialização do país. A oleaginosa voltou do feriado com perdas, tanto em Chicago quanto em relação ao dólar, que encerrou no campo negativo após três sessões seguidas de ganhos.

Desta forma, os preços domésticos tiveram oscilação mista e não foram negociados volumes relevantes ao longo do dia.



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