Carlos Tavares: EUA/China consenso em 34 assuntos e retorno dos cassinos

XI - TRUMP

Foi dos mais frutíferos o encontro dos presidentes Xi e Trump, no início de novembro, em Pequim. Jornal oficial do governo, o Diário do Povo (tiragem de 3 milhões) denominou como “consensos” 34 assuntos que foram motivo de acordos, tratados ou mesmo apenas entendimentos.. Dado a limitação de espaço, a coluna selecionou os dez que pareceram mais importantes: proteção à paz mundial; manter permanente contato telefônico; diálogo entre os dois exércitos; não aceitar a Coréia do Norte como potência nuclear; aumentar as importações chinesas dos EUA; facilitar o acesso ao mercado financeiro chinês; estender o Acordo Ciência e Tecnologia China-EUA; receber mais alunos de ambos os lados; manter dialogo diplomático/segurança e combate ao terrorismo. A propósito dos resultados dessa visita, desmentindo o noticiário da mídia de que ficariam para o futuro, o fechamento dos negócios (no valor recorde de U$ 253,5 bilhões), a China Aerospace Corporation acaba de divulgar contrato no valor de US$ 30 bilhões firmado com a Boeing para compra de 300 aviões. De fato, em negócios o bilionário Trump é muito bom.

CASSINOS VOLTARÃO

De fato, a manutenção da indevida proibição dos cassinos – decretada em 1946 pelo general-presidente Dutra a conselho da esposa Dona Santinha – coloca o Brasil no diminuto grupo de pequenos países (como os islâmicos) pobres/atrasados/subdesenvolvidos que não tem condições de manter os jogos de sorte. Agora, porém, deve sair dessa incômoda situação – altamente prejudicial à economia/turismo- uma vez que os políticos brasileiros finalmente resolveram se unir e promover a reabertura dos cassinos. Recentemente governadores de vários Estados (inclusive os do Rio de Janeiro e do DF) reuniram-se, em Brasília, com o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, e da Câmara, Rodrigo Maia, todos favoráveis à legalização dos jogos de sorte. Na ocasião, Maia assinalou que “o Rio vai ganhar muito com o complexo turístico dos cassinos”. A proposta (favorável) de reabertura e legalização dos cassinos, bingos e outros – que o relator sen. Benedito de Lira apropriadamente denomina de jogos da fortuna – permanece na CCJ do Senado, sendo difícil sua necessária aprovação ainda este ano. Vale lembrar à Oposição, em particular ao sen. Lindbergh (PT_RJ) que a maior concentração de hotéis-cassinos encontra-se em Macau, na República Popular da China, que consequentemente ocupa a liderança mundial do turismo.

MACAU LIDERA

Em outubro, a receita dos cassinos em hotéis e resorts em Macau, registrou expressiva arrecadação de U$ 3,3 bilhões. Nesses dez primeiros meses, a receita crescendo 19,2% somou US$ 27,4 bilhões. No fim do ano essa bela ex-colônia portuguesa terá recebido mais de 30 milhões de turistas, com arrecadação acima de US$ 32 bilhões, proporcionada pelos seus 37 hotéis-cassinos/resorts, entre os quais o Venetian (três mil suítes) que conheço bem. Os resultados do turismo, apenas dessa cidade chinesa, são cerca de cinco vezes o total apurado pelo Brasil em 2016, apesar da Olimpíada. Com essa contribuição, a China lidera o ranking mundial de recebimento de turistas (na estatística da OMT Macau e Hong Kong aparecem separadamente). E a indústria de turismo, este ano, participará com 12% do Produto Interno Bruto chinês. No Brasil, essa contribuição não passa de 0,3%.




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