A política monetária é dependente dos costumes de uma época, afirma ex-presidente do BNDES

São Paulo - A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), UM BRASIL, em conjunto com o Columbia Global Centers | Rio de Janeiro, braço da Universidade Columbia, a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE), a Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) e o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), os três últimos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Revista Voto, receberam nesta sexta-feira, 08 de dezembro, especialistas, autoridades e empresários para o "II Fórum Estratégias para o crescimento - A mudança do papel do Estado", na sede da Federação.

O fórum, que também contou com debates ontem no Rio de Janeiro, recebeu, entre outros nomes, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, e o Ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, para debaterem a atuação do governo e das instituições em face das mudanças políticas e econômicas vividas no Brasil.

Na mesa de abertura, o vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano, comentou o papel propositivo da Entidade para promover debates sobre o crescimento sustentável brasileiro. "Tenho certeza de que todos sairemos vencedores do debate de hoje para pensar novos rumos para o País.

Durante o painel "Desafios fiscais e monetários no Brasil", o economista e ex-presidente do BNDES, André Lara Resende, explicou sua posição acerca de formas de conduzir políticas macroeconômicas. "A política monetária é dependente dos costumes de uma época, então, jamais pode ser congelada numa ortodoxia, independentemente das circunstâncias", disse. Na mesma mesa, a secretária Ana Paula Vescovi falou sobre o funcionamento das instituições fiscais brasileiras e a importância de o público ter ciência das atividades executadas por elas. "O reforço da institucionalidade é fundamental para manter sustentável a trajetória das contas públicas. Tenho convicção de que a economia inicia um ciclo de recuperação e esse é apenas o início de uma estrada que precisamos percorrer, porque a crise que tivemos foi muito profunda", completou.

"Há uma falta de certezas no caso brasileiro, que se complica pelo fato de que há uma eleição no próximo ano", observou o professor emérito da Universidade Columbia, Albert Fishlow. "O que vemos é uma demanda clara por mudança institucional, em que não podemos estar em uma posição com tantas inconsistências econômicas, sem poder fazer ajustes mais rapidamente."

O painel "Corrupção e transparência no Brasil e na perspectiva global" discutiu os desvios de ética nos setores público e privado no País. O professor-adjunto da School of International and Public Affairs, da Universidade Columbia, Paul Lagunes, diz que o combate à corrupção no Brasil mudou bastante nos últimos anos e citou que uma pesquisa recente da organização Latinobarômetro indica que 80% da população brasileira se preocupa com o assunto. Para o professor, o caminho para superar altos índices de corrupção é aprender com casos similares. "Hoje, o Uruguai quase compete com os países menos corruptos do mundo. Há esperança se olharmos para nações que passaram por situação parecida", afirmou. O painel ainda contou com as presenças de Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal, Leonardo Lopes, da PwC, e Edson Vismona, do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial.

No encerramento do fórum, o ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, falou sobre a Lei Anticorrupção, que surgiu à época da Operação Lava Jato. "Uma das consequências da corrupção, talvez a mais dura, é que as pessoas deixam de se sentir parte daquela sociedade porque não acreditam no todo. Acreditam que um grupo específico vai ter benefícios e, assim, passam a lutar por pequenos grupos", concluiu.

Sobre Columbia Global Centers | Rio de Janeiro

O Columbia Global Centers | Rio de Janeiro promove e facilita o engajamento colaborativo e impactante entre sua ampla rede de parceiros locais e professores da Universidade Columbia, alunos e ex-alunos. Sua missão é melhorar a compreensão dos desafios globais por meio de uma perspectiva transcultural e transdisciplinar de maneira aplicada.

Sobre o Centro de Governança Econômica Global

O Centro de Governança Econômica Global foi criado partindo da premissa de que, sem uma governança econômica global adequada, gera-se maior possibilidade de grandes crises e uma tendência para o protecionismo e a insegurança política. É missão do Center on Global Economic Governance da Universidade Columbia desenvolver, promover e implementar novas teorias, estudos e iniciativas políticas que atravessem as fronteiras do Estado-nação e abordem novas realidades.

Sobre IBRE/FGV

O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) foi criado em 1951. É a unidade da Fundação Getulio Vargas (FGV) que tem por missão pesquisar, analisar, produzir e disseminar estatísticas macroeconômicas e pesquisas econômicas aplicadas, de alta qualidade, que sejam relevantes para o aperfeiçoamento das políticas públicas ou da ação privada na economia brasileira, estimulando o desenvolvimento econômico e o bem-estar social do país.

Sobre EPGE/FGV

Desde a sua criação, em 1961, a EPGE tem formado parte significativa dos economistas brasileiros de maior destaque profissional. Por meio de seu corpo docente e discente, tem também contribuído efetivamente para o desenvolvimento nacional. Tal contribuição tem se dado não apenas através da provisão de equidade e qualidade no acesso à educação, mas também por meio da utilização prática, na formulação de políticas públicas e privadas, do conhecimento que produz através de seus estudos e pesquisas.

Sobre a EBAPE/FGV

A Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (EBAPE/FGV) foi criada no dia 15 de abril de 1952, na cidade do Rio de Janeiro, como a primeira escola de administração pública do Brasil e da América Latina. A EBAPE surgiu por meio de uma parceria entre a FGV e a Organização das Nações Unidas (ONU) para atender à demanda por profissionais qualificados na área pública no País. Trata-se da primeira escola a oferecer curso superior em administração no Brasil e na América Latina.

Sobre a Revista Voto

Com 14 anos de história, a VOTO busca fornecer informações sobre os setores público e privado através de pautas aprofundadas e eventos de relacionamento sobre demandas latentes na sociedade. A VOTO construiu importantes parcerias com respeitadas entidades internacionais como a Columbia University e o MITLac do Massachusetts Institute of Technology. Distribuída mensalmente para um mailing de 35.000 endereços virtuais, a publicação tem presença marcante em redes como twitter e facebook, além do portal www.revistavoto.com.br.

Sobre UM BRASIL

É uma plataforma multimídia mantida pela FecomercioSP e composta por entrevistas, debates e documentários com grandes nomes dos meios acadêmico, intelectual e empresarial. O conteúdo de UM BRASIL aborda questões importantes sobre os quadros econômico, político e social do País e possui como objetivos resgatar os debates político, econômico e social no País; estimular a participação e o conhecimento político do cidadão; envolver o jovem brasileiro nas discussões; auxiliar no desenvolvimento do senso crítico da sociedade; e promover o questionamento e a elaboração de ideias e ações. O material está disponível no site www.umbrasil.com.

Sobre a FecomercioSP

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Congrega 142 sindicatos patronais e administra, no Estado, o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A Entidade representa um segmento da economia que mobiliza mais de 1,8 milhão de atividades empresariais de todos os portes. Esse universo responde por cerca de 30% do PIB paulista (e quase 10% do PIB brasileiro), gerando em torno de 10 milhões de empregos.



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