Carlos Tavares: Negros, pardos e mulheres precisam de votos e o turismo de hotéis-cassino

MULHERES / NEGROS

Com as comemorações dos dias das mulheres e da Consciencia Negra reavivam-se as reclamações sobre a discriminação – odiosa e inexplicável – existente contra essa grande parte da população brasileira, particularmente quanto à ausência na área político-administrativa. De fato, caso esse enorme contingente tivesse melhor representação no Congresso e Câmaras estaduais, onde se aprovam leis, decretos e normas administrativas, a situação seria outra. A palavra inexplicável é corretamente aplicada de vez que, com cerca da metade dos eleitores (segundo o IBGE a população negra/parda chega a 55%), a participação de mulheres e negros no Senado/ Camara gira em torno de apenas 10%. Existem mais de mil municípios sem sequer uma mulher ou negro em suas câmaras. A solução ideal seria que esse contingente de eleitores passasse a votar também em mulheres e negros para o Parlamento. A outra, mais difícil, seria a aprovação no Congresso (com maioria masculina e branca) de uma cota fixa (no mínimo de 30%) de vagas para parlamentares mulheres e negros. No ambito internacional, o tratamento/situação das mulheres no Brasil aparece em vergonhosa posição na area politica, com o 154º lugar no ranking do Legislativo e 167º no do Executivo (Folha 21/11). A boa noticia foi a aprovação no Senado do projeto de lei que permite o acesso de mulheres a todos cargos oficiais da Marinha, inclusive almirante de esquadra.

CASSINOS

Continua empacado na CCJ do Senado o projeto de reabertura dos cassinos que retira o Brasil da contramão do turismo. Assim, com essa antiga, atrasada e absurda proibição dos jogos, inclusive nos hotéis, decretada há 71 anos pelo general Dutra, todo o lucro dessa atração turística –com arrecadação e empregos- vai não só para os vizinhos Uruguai, Paraguai e Argentina, como para os paises originarios dos navios, também com cassinos, que no verão, trafegam pelo litoral. Diante do evidente prejuízo que essa infeliz proibição tem causado ao País –com negativa repercussão internacional- talvez fosse interessante o relator do projeto, sen. Benedito de Lira, incluir nova questão em sua argumentação. Poderá o Brasil subir ao bloco infinitamente superior das nações com hotéis-cassinos e bons cultivadores do turismo, como os líderes do setor, China, EUA, França, Espanha, Itália, Alemanha, Japão, Russia, Portugal,além de mais de cem outras. Ou permanecer na companhia do pequeno grupo de países pobres/subdesenvolvidos, como a Bolívia, Haiti, e islâmicos, sem condições de atrair/manter hotéis-cassinos. Para se ter a idéia da vantagem dos hotéis-cassinos basta dizer que, ano passado, somente o Venetian -na bela cidade chinesa de Macau- recebeu cinco vezes mais turistas que os 6 milhões vindos ao Brasil, inclusive para as Olimpíadas.

CEXIM/CACEX

Bem oportuna a criação da Unidade de Comércio Exterior no Banco do Brasil, pelo seu presidente Paulo Caffarelli, que justificando o apoio ao setor produtivo, declarou : “Historicamente, sempre tivemos a vocação do comércio exterior”. De fato, essa Unidade poderá prestar eficiente assistência às empresas da área, inclusive as que desejarem ingressar na exportação. Aliás, como disse Caffarelli, o BB tem boa tradição no assunto pois na década de 1940 (na 2ª Guerra) manteve a Carteira de Exportação e Importação – CEXIM, mais tarde transformada em Carteira de Comércio Exterior – CACEX, que controlavam o comércio exterior brasileiro com a emissão de licenças de importação. Como trabalhei nessas Carteiras, tive a oportunidade de publicar alguns fatos históricos no livro “Exportação o Modelo Ideal”, FGV/1987.



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