Carlos Tavares: Inteligencia Artificial, hidrovia ignorada e a importância dos cassinos no turismo

INTELIGÊNCIA

Adiantando-se aos EUA na exploração, de alto nível, da inteligência artificial – a outra superpotência evidentemente também busca avançar nesse inevitável estágio futuro da economia/industria – a China lançou projeto sobre o importante assunto. Em área de 54 hectares, em Mentougou, nos arredores de Pequim, será localizado o Parque de Tecnologia para desenvolver a inteligência artificial, com investimento inicial de US$ 2 bilhões. No setor, os chineses já tem a liderança na produção de robôs, drones e automóveis inteligentes. E agora acabam de inaugurar não só a primeira linha de metrô sem motorista, a de Yangfang, com 14 km na rede de Pequim, como também lançaram, em Xangai, o navio pioneiro com sistema de navegação inteligente. Em linguagem técnica, o Parque de Mentougou focalizará “a super velocidade, computação na nuvem, biometria e aprendizagem”. A incorporadora do Parque a empresa Zhonguancun, abriu inscrições também para instalação de entidades estrangeiras (universidades, institutos de pesquisa e empresas) que poderão conhecer as novidades chinesas do setor. Boa oportunidade para as brasileiras.

HIDROVIAS

Recente seminário, em São Paulo, tratou da criação de uma agência internacional para cuidar da integração hidroviária dos países do Cone Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai). A hidrovia básica dessa integração, a Tietê-Paraná, que nasce em Piracicaba (SP) e passa por esses países, é ainda pouco utilizada pelos empresários brasileiros. Ano passado o volume de carga ali transportado não passou de 3,3 milhões/t (contra 7 milhões/t em 2014). O Brasil tem apenas 51 embarcações para navegação na hidrovia (em 2007 eram 500) ao passo que o Paraguai tem 1910, a Argentina 850, a Bolívia 333 e o Uruguai 293. Entusiasta da criação da agência, Rubens Barbosa (presidente do Irice) acha que o melhor uso da malha fluvial reduziria o custo da movimentação de carga em até 60%. E o executivo do IE, Wagner Ferreira, julga que a hidrovia Tietê-Paraná poderia chegar a Buenos Aires. De fato, são bem-vindos, a agência e o estímulo/aprimoramento do transporte fluvial, ainda mais agora com o ameaçador aumento dos assaltos aos caminhões.

HONG KONG

No ano passado a China consolidou a sua liderança no turismo internacional, colocando três cidades – Hong Kong, Macau e Shenzen – entre as 10 mais visitadas do mundo, segundo a Euromonitor International, de Londres. Liderando o ranking ficou HK que deve ter fechado o ano com mais de 29 milhões de turistas estrangeiros (até novembro foram 26,6 milhões), deixando a China em primeiro, entre países, com cerca de 110 milhões de visitantes. Entre cidades, em segundo ficou Macau, com total pouco abaixo de HK, mas ponto central de atração turística, com seus 37 cassinos, em hotéis e resorts. HK, também no delta do rio das Pérolas, com a nova ponte de 55 km, ficou apenas a 30 minutos de Macau, e em outra ilha, Shenzen, fora do delta, situa-se um pouco mais longe. Falo de cadeira, pois conheço bem as duas ilhas e Macau. Esse, um bom exemplo para a reabertura dos cassinos no Rio, tornando-a também cidade mais visitada, mas atualmente longe no ranking.



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