Ernane Galvêas: A fala de Temer em Davos, o dilema eleitoral e indicações políticas

A FALA DO PRESIDENTE TEMER EM DAVOS

“Em pouco mais de um ano e meio de gestão, afirmamos, na prática, nosso compromisso com o equilíbrio fiscal. Os resultados estão aí. A inflação caiu e está novamente sob controle. O câmbio estabilizou-se. Os juros recuaram a seu menor patamar histórico. Foi com realizações, e não com voluntarismos, que restauramos a confiança na economia brasileira – confiança que já se reflete no aquecimento da atividade industrial, na vitalidade do comércio exterior, na volta dos empregos
Até agora, concluímos mais de 70 projetos que abrangem rodovias, portos, aeroportos, linhas de transmissão, jazidas de gás e petróleo. A estimativa dos investimentos é de R$ 142 bilhões. Em 2018, serão ofertados outros 75 projetos, que também incluem ferrovias e que deverão captar mais de R$ 130 bilhões.

O desafio que se impõe, agora, e ao qual estamos inteiramente dedicados, é reformar a Previdência Social. Em Davos, ratificarei meu compromisso com um sistema previdenciário justo e sustentável, que corresponda à evolução demográfica de nossa população. Esse é um compromisso que renovo, em primeiro lugar, diante dos brasileiros, sobretudo os mais pobres – afinal, o sistema, tal como está, transfere renda de quem menos tem para quem menos precisa. A reforma eliminará privilégios e garantirá o pagamento das aposentadorias de hoje e de amanhã. Reforçará a credibilidade da economia brasileira, fazendo-a ingressar em ciclo duradouro de crescimento.” Presidente Michel Temer (Valor 20/1/18)

DILEMA ELEITORAL

A corrida para o pleito eleitoral em outubro, com vistas à Presidência da República a partir de 2019, é realmente uma fogueira de vaidades, em que cada candidato revela um desejo mal escondido de realização de uma ambição política, mais pela vaidade do que mesmo pelas vantagens que oferece.

Nessa corrida, em que cada um revela a dimensão de sua vaidade, vamos encontrar – além de Lula e Bolsonaro – o Presidente Michel Temer, candidato à reeleição, ex-Presidente Fernando Collor de Mello, Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda, Geraldo Alckmin, Governador de São Paulo, Joaquim Barbosa, ex-Presidente do STF, Marina Silva, ex-Ministra do Meio Ambiente, Ciro Gomes, ex-Ministro da Fazenda, Luciano Huck, apresentador de TV, Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, João Pedro Stedile, líder do MST, Guilherme Boulos, líder do MTST, e outros.

Em resumo, pode-se afirmar que Rodrigo Maia tem o melhor perfil político, Meirelles o melhor conhecimento da crise econômica, Alckmin tem a maior experiência administrativa, Paulo Rabello de Castro o melhor currículo acadêmico.

Se Lula for afastado do processo eleitoral, o anti-Lula Bolsonaro tende a desaparecer. Abre-se, então, o leque para os demais candidatos.

Pelo visto, os brasileiros terão que optar entre o retorno da retórica política do lulo-petismo ou a política liberal dos que desejam reduzir as dimensões do Estado e o desequilíbrio fiscal, responsáveis pelas distorções que levaram à atual crise política e econômica.

Em entrevista à imprensa em 20/12/17, Lula defendeu suas convicções populistas, tais como a valorização do salário mínimo, o forte papel do Estado investidor e indutor do crescimento, a expansão do crédito, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos e a federalização do ensino médio. Acusou o programa de privatização de venda irresponsável do patrimônio público, condenou duramente a reforma trabalhista e não apoiou as da Previdência e a tributária, como estão sendo discutidas agora e defendeu a tese bolivariana do referendo revocatório.

INDICAÇÕES POLÍTICAS

Inadmissível imaginar a que ponto chegamos no Brasil no campo das nomeações para cargos executivos, de alta responsabilidade administrativa, indicados por partidos políticos. É o que aconteceu e está acontecendo na Caixa Econômica Federal, entidade financeira que, como o Banco do Brasil, administra centenas de bilhões de reais de poupanças dos brasileiros.

Dos 12 vice-presidentes da CEF, 4 foram afastados por indícios de corrupção, segundo noticiário da imprensa. Isso mostra o ponto de distorção a que chegou a manipulação dos interesses nacionais pela perniciosa interferência política. Segundo o Estado de São Paulo (18/1/18), “partidos já discutem novos nomes ligados a eles para substituir os vice-presidentes afastados pelo Presidente Michel Temer”. Lastimável.

POLÍTICA EXTERNA

“O cenário internacional tem sido marcado por desafios importantes para a governança e para a definição de prioridades e rumos da política externa brasileira.

A forma como a OCDE trabalha – a partir de estudos e evidências empíricas... – faz a influência da organização ser crescente entre membros e não membros. As recomendações e decisões da organização não raro se tornam, na prática, padrão internacional.

Nesse contexto, a participação do Brasil na OCDE, na perspectiva do Itamaraty, impõe-se por força da realidade.

O Brasil é considerado um parceiro estratégico da OCDE (key partner) e pactuou com a organização, em 2015, um acordo de cooperação, indicando interesse em aprofundar ainda mais a parceria.

A decisão do presidente Michel Temer de solicitar a acessão do Brasil à OCDE foi uma consequência natural da contínua presença do nosso país na organização.

A agenda atual da OCDE abarca temas variados, como educação, saúde, emprego, previdência social, economia digital, responsabilidade fiscal, governança pública, inovação tecnológica e crescimento sustentável.” Aloysio Nunes Ferreira - Ministro das Relações Exteriores (Estado de São Paulo – 16/1/18)

A SAGA DO PETRÓLEO

“A forte queda dos preços do petróleo mudou a cara do setor. Mas embora as cotações internacionais do óleo tenham voltado a subir e estejam oscilando na faixa de US$60 a US$70 o barril, a pressão sobre os custos, para baixo, será mantida.

No Brasil, essa é a realidade da indústria, talvez de maneira ainda mais dura porque a companhia líder, a estatal Petrobras, ficou atolada dentro de um profundo lodaçal de corrupção patrocinado por quem deveria ter cuidado dela. Um rolo compressor passou sobre a cadeia produtiva sem distinguir gregos de troianos. Muito lentamente, a própria Petrobras e os demais atores da indústria estão passando uma peneira para separar o joio do trigo, à medida que os investimentos são retomados. A situação mais crítica é a dos estaleiros que, a curto prazo, não têm perspectiva de encomendas.

E há também impasses nas negociações. Os estaleiros Brasfels (Angra dos Reis) e Jurong (Aracruz) estão com sondas de perfuração, que haviam sido encomendadas pela Sete Brasil, praticamente prontas, aguardando definição. No Eisal (Estaleiro Mauá, Niterói), há três petroleiros em condições de serem entregues nos próximos meses e não se chega a um entendimento. No Rio Grande do Sul, partes de uma plataforma em construção correm o risco de serem vendidas como sucata. No Comperj, a conclusão da rede de tubos, que será necessária não só para o funcionamento da futura refinaria, mas também para a entrada em operação da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) até 2019, aguarda autorização da Petrobras.

Uma coisa é certa: o setor de óleo já deixou de andar para trás no Brasil e certamente 2018 será melhor que 2017 para a atividade.” George Vidor (O Globo – 22/1/18



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