Ernane Galvêas: PIB, indústria, comércio, agricultura e mercado de trabalho

ATIVIDADES ECONÔMICAS

A agência de classificação de risco Fitch Ratings anunciou o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. A entidade alterou o rating brasileiro de BB para BB-, com perspectiva estável, colocando o País três níveis abaixo do grau de investimento. Em janeiro, esse mesmo movimento foi realizado pela Standard & Poor’s. Ao justificar a queda da nota, a Fitch destacou que a economia brasileira contínua se recuperando da recessão, mas que a intensificação da retomada do crescimento poderia estar restringida pela existência de incertezas políticas, fiscais e relacionadas às reformas.

O Índice de Confiança da Construção (ICST), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), recuou 1,2 ponto em fevereiro, para 81,4 pontos, após oito altas consecutivas. A queda no período foi impulsionada exclusivamente pelo componente que captura as expectativas empresariais do setor. De fato, o índice de Expectativas caiu 3,2 pontos, atingindo 92,7 pontos, devolvendo parte das duas altas anteriores. A despeito da acomodação verificada na leitura atual, a tendência do ICST continua sendo de recuperação do setor.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) recuou 0,2 ponto na passagem de janeiro para fevereiro, atingindo 58,8 pontos, de acordo com pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esse resultado ficou acima do nível neutro (50 pontos) e, pelo sexto mês consecutivo, também foi superior à média histórica ( 54,1 pontos).

PIB e Investimentos

O IBR-Br, proxy mensal do PIB, subiu 1,4% na passagem de novembro para dezembro, ajustados aos efeitos sazonais, conforme divulgado pelo Banco Central. O resultado superou a mediana das projeções do mercado, que indicava alta de 0,9%. Na comparação interanual, houve alta de 2,1%. Esse avanço reflete a forte expansão da atividade industrial no período.

A economia brasileira - PIB cresceu 1% ano passado, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo a pesquisa, a taxa de investimento no ano passado teria sido de 15,7% do PIB, percentual que, caso confirmado, seria o menor da história.

A atividade industrial deve aumentar o ritmo de compras de máquinas e de equipamentos, o que deve influenciar de forma favorável na formação bruta de capital fixo (FBCF).

Segundo Boletim Focus, a estimativa para o crescimento do PIB nacional, a soma de todos os bens e serviços do mercado, deste ano aumentou, passando de 2,70% para 2,80%. A estimativa do Governo é de 3%.

Para 2019, no entanto, as projeções foram mantidas em relação à última publicação. Para o mercado, a expectativa é que o PIB do ano que vem seja de 3% e a taxa de inflação de 4,25%.

Indústria

As vendas de imóveis na cidade de São Paulo somaram 23,6 mil unidades em 2017, segundo os dados divulgados pelo Sindicado da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Esse resultado equivale a uma alta de 46,1% em relação a 2016, quando as vendas somaram 16,2 mil unidades. Já os lançamentos alcançaram 28,7 mil unidades no ano passado, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), montante que representa um avanço anual de 62,6%. Em dezembro, as vendas somaram quase 5 mil unidades e os lançamentos 8,7 mil imóveis. Como resultado, o estoque ficou em 22 mil unidades em dezembro, recuando 8,7% ante dezembro de 2016. Os últimos indicadores conhecidos reforçaram o cenário de recuperação do setor imobiliário, trajetória que deve ser mantida ao longo deste ano.

Comércio

O volume de vendas no varejo ampliado acumulou alta de 4,0% em 2017, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Esse foi o primeiro resultado anual positivo do setor desde 2013 (+4,3%).

Dentre os segmentos avaliados, destacaram-se positivamente as lojas de móveis e eletrodomésticos (+9,5%), de materiais de construção (+9,2%), além de vestuário (+7,6%). Cabe destacar, entretanto, que sete dos dez segmentos varejistas registraram aumentos de vendas no ano passado.

No plano regional, a difusão da reação do varejo se fez presente através do aumento de vendas em 22 das 27 Unidades da Federação. Em 2016, apenas uma UF (Roraima) havia apresentado crescimento no volume de vendas. Os destaques regionais positivos foram as taxas percebidas nos Estados de Santa Catarina (+14,3%), Rio Grande do Sul (+13,3%) e Amazonas (+12,0%).

A evolução real das vendas através da PMC confirmou, portanto, o início do processo de recuperação do varejo no ano passado, tendência já confirmada pela recuperação parcial do emprego formal no setor (+26 mil vagas em 2017) e pela retomada na abertura líquida de lojas a partir de outubro do ano passado.

O Indicador Movimento do Comércio divulgado pela Boa Vista SCPC apontou que as vendas no varejo brasileiro subiram 0,2% ante dezembro, após recuo de 7,7%. Na comparação interanual, houve um incremento de 9,7%,

levando o indicador a acumular expansão de 2,6% em 12 meses, a maior desde janeiro 2015. Os destaques ficaram por conta de “móveis e eletrodomésticos” e “tecidos, vestuário e calçados”. Os segmentos de “supermercados, alimentos e bebidas” e “combustíveis e lubrificantes” avançaram em ritmo mais moderado. Os dados já divulgados sugerem que o volume de vendas do comércio varejista apurado pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC-IBGE) avançou 0,8% no primeiro mês do ano, devolvendo parte do recuo de 1,5% registrado em dezembro.

A Intenção de Consumo das Famílias, medida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), teve um incremento de 4,2% de janeiro para fevereiro deste ano. O crescimento chegou a 13% na comparação com fevereiro de 2017.

Na comparação com janeiro, as melhores avaliações foram observadas na compra de bens duráveis (5,8%) e perspectiva profissional (5,3%). Já na comparação com fevereiro de 2017, os destaques foram à perspectiva de consumo (25,7%) e momento para duráveis (23,5%).
De acordo com a CNC, a alta é provocada pela melhora do poder de compra das famílias, com previsão de alta de 0,7% para 2018.

Agricultura

Enquanto o Centro-Sul passa por sua entressafra de cana, a oferta de etanol das usinas da região está sendo reforçada pelas importações e pela produção de etanol a partir do milho. Desde 1º de janeiro até metade de fevereiro, a produção de etanol de milho somou 107,5 milhões de litros – equivalentes a 60% da produção total do Centro-Sul, que foi de 179,7 milhões de litros, de acordo com dados da União das Indústrias de cana-de- açúcar (Única).

A oferta de etanol de milho neste primeiro trimestre deve ficar entre 180 milhões de litros e 200 milhões de litros.
As importações de etanol também estão reforçando a oferta, embora estejam dentro do esperado pelo mercado. Em janeiro, foram importados cerca de 165 milhões de litros.

Mercado de Trabalho

A taxa de desemprego ficou em 11,8% no trimestre encerrado em dezembro, 0,2 ponto porcentual menos do que a observada um ano antes. A renda real média do trabalho alcançou R$ 2.154, 1,6% maior do que a do último trimestre de 2016.

Boa parte da recuperação do emprego se deveu ao mercado informal, no qual as garantias, a renda e os benefícios são piores do que os oferecidos pelo mercado formal. Este encolheu, pois o número de trabalhadores com carteira assinada (33,3 milhões de pessoas) é o mais baixo desde 2012,

A existência de 12,3 milhões de pessoas sem ocupação mostra que as mudanças são insuficientes para aliviar o grave drama social do desemprego.

Em três anos, o contingente de desocupados praticamente dobrou, passando de 6,7 milhões para 13,2 milhões. Ou seja, depois do primeiro mandato de Dilma Rousseff, 6,5 milhões de brasileiros perderam o emprego.

Em 2014, havia 36,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Nos três anos seguintes, o mercado de trabalho formal perdeu 3,3 milhões de trabalhadores. A indústria, onde se concentram os melhores empregos, perdeu 1,52 milhão de trabalhadores.

Apesar da melhora recente na geração de vagas no País, ainda faltou trabalho para 26,508 milhões de brasileiros em 2017, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além de 13,2 milhões de desempregados, havia 6 milhões de pessoas que trabalhavam menos horas do que desejavam e outras 7,3 milhões de pessoas que estariam aptas a trabalhar se fossem criadas condições.

Ano passado, o saldo entre contratações e demissões no setor do turismo em todo o País ficou negativo, sinalizando para o fechamento de 12.690 vagas de emprego formal, mostra estudo do Caged.

Após dois anos de retração, o mercado de trabalho no comércio atacadista do Estado de São Paulo voltou a registrar mais admissões que desligamentos.

Foram 6.208 novas vagas formais abertas em 2017, contrapondo a extinção de 7.474 vínculos do ano anterior, segundo a Fecomércio-SP.

Trata-se do melhor resultado para meses de janeiro desde 2012.

Sistema Financeiro

O Banco Central fechou 2017 com lucro operacional de R$ 26 bilhões, depois de registrar prejuízo de R$ 9,5 bilhões em 2016. Apesar do lucro operacional, a autoridade monetária perdeu R$ 46,4 bilhões com as operações cambiais, compostas pela administração das reservas internacionais e pelas operações de swap cambial. A perda total, somando os dois resultados, somou R$ 20,4 bilhões em 2017.

O Banco do Brasil fechou 2017 com resultado positivo de R$ 11,06 bilhões, 54% maior que os ganhos do ano anterior.

O BB terminou 2017 com saldo de operações de crédito de R$ 681,3 bilhões, 3,8% menor que o de dezembro de 2016.

Inflação

O IPCA-15 de fevereiro registrou alta de 0,38%, praticamente repetindo a alta do mês anterior (0,39%), de acordo com os dados divulgados pelo IBGE. No acumulado dos últimos doze meses, o índice registrou alta de 2,9%, desacelerando em relação ao observado no mês anterior, 3,0%.
O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 0,13%, comparada ao avanço de 0,76% em janeiro. Os alimentos consumidos em casa avançaram no mesmo ritmo do grupo como um todo, com 0,13%. A batata-inglesa e as carnes vieram com queda, respectivamente, de 3,50% e 0,70%, após altas de 11,70% e 1,53% em janeiro. Na alimentação fora de casa, a alta foi de 0,15% em fevereiro.

O IGP-10 de fevereiro desacelerou para 0,23%, ante a alta de 0,79% no mês anterior, conforme divulgado pela FGV. Esse resultado ficou abaixo do esperado pela mediana das expectativas dos agentes (0,34%). Acumulado em doze meses, o índice registrou queda de 0,42%.

O mercado financeiro reduziu a projeção de inflação e aumentou a expectativa de crescimento da economia para este ano, de acordo com o Boletim Focus divulgado em 19/2/18, pelo BC.

Setor Público

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$155,619 bilhões em janeiro, um aumento real de 10,12% na comparação com igual mês de 2017. Esse foi o terceiro mês consecutivo de aumentos nas receitas da União ante igual período do ano anterior. Em relação a dezembro do ano passado, houve alta real de 12,57%.

A arrecadação com PIS/Confins teve aumento real de 12,77% em janeiro de 2018. O valor arrecadado foi R$ 3,2 bilhões maior, já descontada a inflação, somando R$ 28,258 bilhões.

A receita previdenciária, também registrou aumento real, de 5,58% em janeiro deste ano ante janeiro de 2017. O valor arrecadado no mês passado foi de R$34,478 bilhões.

Setor Externo

O fluxo cambial registrou déficit de US$ 331 milhões na semana compreendida entre os dias 14 e 16 deste mês, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. As contas comercial e financeira caminharam no mesmo sentido, sendo ambas responsáveis pelo saldo negativo da semana. A primeira registrou saída líquida de US$ 132 milhões. A conta financeira, por sua vez, foi deficitária em US$ 199 milhões, resultado de compras de US$5,7 bilhões, inferiores às vendas de US$ 5,9 bilhões. Assim, o fluxo cambial acumulou superávits de US$ 1,9 bilhão em fevereiro e de US$10,0 bilhões no ano.

O saldo da balança comercial brasileira foi positivo em US$ 808 milhões na terceira semana de fevereiro (de apenas 3 dias úteis), de acordo com dados divulgados pelo MDIC. Em termos anualizados e levando em consideração os ajustes sazonais, o resultado é equivalente a um superávit de US$ 115,7 bilhões. Na semana, as exportações somaram US$ 3,0 bilhões, superando as importações, que ficaram em US$ 2,2 bilhões. Na comparação com as médias diárias do mesmo período do ano passado, houve crescimento de 20,4% dos embarques e de 14,0% das compras externas.



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