Carlos Tavares: Mulheres sem votos, Trump elogia Xi e vantagens dos hoteis-cassino

MULHERES

Em 8 de março comemorou-se o Dia das Mulheres, a quem se deve a chegada dos homens ao mundo. Porém, estão ainda longe de compartilhar, igualmente, com eles dos direitos universais, em particular na política. No Brasil, segundo recente pesquisa (Folha, 21/11/17) a participação das mulheres no Legislativo, na escala mundial, situa-se em longínquo 154º lugar. Assim, embora com cerca de 50% do eleitorado total em torno de 100 milhões de votantes, as poucas eleitas participam com a média de 13% das casas legislativas (Senado, Câmara dos Deputados, Assembléias estaduais e municipais). E aí não é culpa dos homens (como no assédio sexual), mas delas mesmo, que não repartem seus votos com as candidatas. Em 1291 municípios do interior, os 50% do eleitorado correspondentes ao bloco feminino não elegeram sequer uma representante para as respectivas câmaras. Chegando ao cúmulo, em um desses municipios, de certa candidata não receber nenhum voto, nem o dela própria. Vamos ver se nas próximas eleições a situação se modifica e o percentual feminino no Legislativo cresça no mínimo para 30%. As mulheres precisam não só votar no mesmo sexo mas também ter mais e melhor escolha a fazer. Outras representantes competentes (e com boa cabeça) – além das poucas que já estão no Congresso – precisam se candidatar, como a executiva Maria Silvia Bastos e as jornalistas Miriam Leitão, Flávia Oliveira, Danuza Leão e Mônica Bergamo (que não canso de ler).

CHINA

Informações de dois importantes órgãos internacionais demonstram que, com firme crescimento econômico e bom relacionamento político-social, em 2017 a China superou os EUA na escala mundial. Segundo a agência americana Gallup a aprovação da liderança dos EUA em mais de 130 países caiu para 30% (o mais baixo nível em 10 anos), enquanto a China subiu para 31%. Foram entrevistados mil adultos de cada país. Por outro lado, dados do Banco Mundial confirmam que, desde 2012, a China contribuiu com 34% do crescimento econômico internacional, mais que o total da participação dos EUA, União Européia e Japão. Além disso, em dezembro, a China adquiriu mais US$ 8,3 bilhões de títulos do Tesouro americano, perfazendo US$ 1,18 trilhão. As reservas chinesas passaram a totalizar US$ 3,16 trilhões, as maiores do planeta, para tranqüilidade do Brasil e do mundo. Com esses excelentes resultados, cresceu enormemente o prestígio do presidente Xi Jinping, que o seu admirador Donald Trump, ano passado, já o havia chamado de “homem muito especial”. Agora, em 28 de fevereiro, em reunião com governadores, após dizer do grande respeito que tinha por ele, Trump acrescentou: “Acho que o presidente Xi é único”.

CASSINOS, LAVAGEM NÃO

A legalização dos jogos e reabertura dos cassinos - propiciando o aumento da arrecadação, o estímulo ao turismo e a criação de empregos – com a ligação/participação mantida com esses importantes setores, tornou-se, evidentemente, questão de interesse nacional. Assim, como em casos de violência, saúde, e educação, não deve haver disputa ideológica entre as bancadas governista e de oposição, mas apenas divergências de critério e regulamentação. As duas superpotências, China e EUA – uma socialista e outra capitalista – mantém os principais centros mundiais de cassinos, Macau e Las Vegas, como trunfo, para estender suas lideranças ao setor de turismo. Em sessão do Congresso, ano passado, dois senadores governistas afirmaram que a reabertura dos cassinos, iria tornar o Brasil – como se já não fosse – “paraíso da corrupção com a lavagem de dinheiro”. Nada tão equivocado, como tem demonstrado o desdobramento da Operação Lava-Jato e outras. Sem os cassinos, os criativos corruptos e doleiros lançaram uma série de operações para esconder a origem do dinheiro, enviá-lo e mantê-lo no exterior. Além dos tradicionais créditos em conta bancária no exterior (em particular na Suíça), foram criadas transferências fraudulentas envolvendo obras de engenharia, e uma série de gastos em jóias, quadros, incluindo até uma cervejaria. A facilidade era tanta que a corrupção passou a ser paga, aqui mesmo, como os milhões de reais encontrados em apartamento em Salvador e em malas circulando por S.Paulo, Belo Horizonte e até atravessando a fronteira com a Bolívia. Assim, além de desnecessária, seria de fato, impossível aliciar para fraudes as grandes cadeias interessadas em investir em hotéis-cassino, como a Las Vegas Sands, MGM, Intercontinental, Trump, Meliá, Accor e outras.
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AGRADECIMENTO

O presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal, Magno José de Souza, enviou carta ao presidente da FCCE, Paulo Ferraz, agradecendo a defesa, pela coluna, da reabertura dos cassinos. Com dados impressionantes, na missiva o IBJL informa que, diariamente, 30 milhões de brasileiros já apostam no “jogo do bicho”, em jogos pela internet e outras modalidades, não regulamentadas. Além de assegurar que as apostas clandestinas chegam a R$ 19 bilhões, acrescenta que a legalização pode gerar R$ 10 bilhões com as licenças e R$ 18 bilhões/ano de impostos, criando 150 mil novos empregos. A propósito, essa alta renda tributária recolhida com a esperada e necessária legalização/reabertura dos jogos/cassinos, poderia ser expressamente destinada à educação e saúde.



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