Ernane Galvêas: PIB, indústria, comércio, agricultura e mercado de trabalho

DELFIM NETTO

Não dá para resumir e não tem preço, o que o Brasil deve a Delfim Netto, por sua contribuição inteligente e eficaz, nos Governos Costa e Silva, Médici e Figueiredo, dos quais foi Ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento. Negociador hábil dos difíceis problemas da dívida externa causada pelo segundo choque do petróleo, venceu a crise, equilibrou o balanço de pagamentos e impulsionou a agricultura nacional, através da Embrapa, de sua criação. O que Delfim fez pelo desenvolvimento do Brasil não tem preço.

PIB e Investimentos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do PIB para 2017. Após dois anos consecutivos de retração, ambas de 3,5% em 2015 e 2016, em 2017 o PIB nacional cresceu 1,0%. Esse resultado confirmou o fim da maior recessão já registrada no País e representou o melhor desempenho da economia brasileira dos últimos quatro anos. Embora a crise econômica tenha iniciado no final de 2014, naquele ano, o País ainda registrou pequeno crescimento de 0,5%, acumulando, nos dois anos seguintes, retração de 7,1%. Do ponto de vista da produção, o maior responsável pelo primeiro avanço da economia brasileira foi a agropecuária, que registrou um crescimento de 13,0% em relação a 2016 – a maior taxa de crescimento da série histórica.

A parcela do PIB brasileiro destinada ao investimento encolheu novamente, pelo quarto ano consecutivo. Ficou em 15,6%, a menor taxa desde 1996, reflexo das seguidas quedas no investimento de 1,8% em 2017 e 10,3% em 2016.

Indústria

O IBGE divulgou a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) referente a janeiro. Na série com ajuste sazonal, a produção industrial nacional recuou 2,4% em relação a dezembro de2017. A queda, que vem após um forte crescimento de 3,1% observada no mês anterior, interrompe uma sequência de quatro altas consecutivas do indicador. Apesar da queda na passagem mensal, a produção industrial acumula crescimento de 2,8% em doze meses.

De acordo com a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela CNI, o faturamento real do setor recuou 0,1% entre dezembro e janeiro, após a queda de 0,3% apontada na leitura anterior. Já o nível de emprego interrompeu a sequência de três altas consecutivas, com baixa de 0,52% em janeiro, mesma magnitude da alta do mês anterior.

A produção total de veículos, excluindo máquinas agrícolas, somou 213,5 mil unidades em fevereiro, segundo dados divulgados pela ANFAVEA. Trata-se de um volume 6,2% maior do que o registrado no mesmo mês do ano anterior, embora tenha havido queda de 4,0% na margem, valor que reverte parte das três altas consecutivas observadas nos meses anteriores (4,3%, 1,0% e 1,5%).
Entre dezembro e janeiro a atividade industrial paulista, mensurada pelo indicador do Nível de Atividade (INA) apresentou recuo de 0,9%, sem influências sazonais. Na comparação com janeiro de 2017 o indicador aponta crescimento 7,6%, e na taxa de variação em 12 meses o INA registra aumento de 4,3%.

O Governo federal anunciou no Fórum Econômico Mundial, em São Paulo, um conjunto de medidas para estimular a chamada "indústria 4.0", incluindo a disponibilidade imediata de linhas de crédito de mais de R$ 10 bilhões do BNDES, Finep e Banco da Amazônia (BASA). Segundo o Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge de Lima, o objetivo é incentivar a modernização do parque industrial brasileiro e projetos de inovação e adoção ou geração de novas tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial, automação, "big data" e conectividade.

Somente a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), que é ligada ao Ministério da Tecnologia, afirma ter R$ 7,2 bilhões disponíveis para empréstimos no ano. "Nossa meta para esse ano é de R$ 3,85 bilhões em projetos reembolsáveis. Dinheiro para empréstimo na Finep não é problema", disse o diretor da Finep, Ronaldo Camargo. Segundo ele, o órgão também captou outros US$ 1,5 bilhão com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para projetos de inovação no Brasil.

Comércio

As vendas reais do comércio varejista avançaram 0,9% na passagem de dezembro para janeiro, na série com ajuste sazonal, conforme divulgado pelo IBGE. O resultado ficou acima das expectativas do mercado e reverteu a queda anterior de 0,5%. Na comparação interanual, as vendas cresceram 3,2%, abaixo da alta de 4,0% da leitura anterior. Setorialmente, cinco dos oito segmentos pesquisados registraram alta na margem, com destaque para as variações de 6,8% nas vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico e de 2,3% de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

O volume de vendas do comércio varejista ampliado registrou, em janeiro alta de 6,5%. Este é o melhor resultado para o mês de janeiro desde 2013, quando houve alta de 7,0% no faturamento real do setor. Com crescimento de 18,2%, o segmento automotivo registrou o melhor resultado na comparação interanual para meses de janeiro dos últimos dez anos. Os ramos de artigos de uso pessoal e doméstico (+10,5%) e materiais de construção (+7,3%) também tiveram destaques positivos.

A CNC revisou sua projeção para o volume de vendas no varejo ampliado (que inclui as vendas de automóveis e materiais de construção) de +5,0% para +5,2% ao final de 2018.

Agricultura

A Conab divulgou a sexta estimativa para a safra 2017/18 de grãos. A área plantada está estimada em 61,1 milhões de hectares, uma ampliação de 0,3% ante a safra anterior. As principais culturas com expansão prevista de área são o algodão (21,8%) e a soja (3,4%). Em sentido contrário, a área plantada de milho deverá diminuir 6,9%. A produção, por sua vez, está estimada em 226,0 milhões de toneladas, recuando 4,9% em relação à safra anterior.

Mercado de Trabalho

Segundo dados do Caged divulgado pelo Ministério do Trabalho, em janeiro, as contratações formais superaram 77,8 vagas, diferença entre as contratações (1.284.498) e as demissões (1.206.676). Foi o melhor janeiro em seis anos, desde 2012, quando foram abertas 118.895 vagas.

De acordo com os dados da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE, a taxa de desocupação no Brasil passou de 12,6% na média dos três meses encerrados em janeiro de 2017 para 12,2% nos três meses finalizados em janeiro de 2018. Esse resultado ficou um pouco acima do esperado (12,0%) e foi impulsionado mais pelo avanço da ocupação (+2,1% em relação ao mesmo trimestre ao ano anterior) do que pela variação da população economicamente ativa (+1,6%). Vale destacar que a ocupação privada sem carteira assinada continua crescendo, enquanto o nível dos ocupados com carteira tem recuado, sempre na comparação interanual.

Sistema Financeiro

Os juros cobrados pelas instituições financeiras no cheque especial registraram pequeno aumento em janeiro, segundo dados do Banco Central. A taxa média dessa modalidade ficou em 324,7% ao ano e, no mês passado, 1,7% acima do verificado em dezembro de 2017 (323% ao ano).
Os juros médios das operações realizadas com cartão de crédito caíram e ficaram em 327,9% ao ano, em janeiro, contra 334,6% no ano.

De acordo com o Banco Central, os juros médios nas operações de crédito com recursos livres registraram aumento em janeiro deste ano, passando a 41,1% ante 40,3% em dezembro do ano passado.

Dados do BC mostram que os quatros maiores conglomerados bancários – Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – detinham até o fina de 2016, 78% de todas as operações de crédito e 76% dos depósitos.

Inflação

O IPCA registrou alta de 0,32% em fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE. A ligeira aceleração em relação a janeiro refletiu a variação positiva de três dos nove grupos que compõem o índice, com destaque para a aceleração sazonal dos preços da educação (de 0,22% para 3,89%) e dos preços da habitação (de queda de 0,85% para alta de 0,22%). Com esse resultado, o IPCA acumulou elevação de 2,84% nos últimos doze meses, abaixo dos 2,86% observados na leitura anterior.

Segundo o IGP-DI da FGV, a inflação mensal em fevereiro ficou em 0,15%, após ter variado 0,58% em janeiro. Assim, a taxa acumulada em doze meses continua negativa (pelo 11º mês seguido) e passou de -0,28% no mês anterior para -0,19%.

Setor Público

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 46,9 bilhões em janeiro, segundo informado pelo Banco Central. Esse resultado ficou acima da mediana das estimativas (R$40 bilhões) e configura o maior saldo da série histórica, desde dezembro de 2001. Em doze meses, o indicador acumulou déficit de R$ 100,4 bilhões (1,53% do PIB), menor do que o verificado no encerramento de 2017, de R$ 110,6 bilhões (1,69% do PIB). O bom desempenho de janeiro foi influenciado principalmente pelo Governo Central, enquanto os governos regionais apresentaram déficits.

Setor Externo

O relatório mensal da Energy Information Administration, órgão vinculado ao Departamento de Energia dos EUA, apontou que a oferta global de petróleo e combustíveis líquidos atingirá o patamar de 100,6 milhões de barris/dia em 2018 (+2,7% ante 2017). Já a demanda mundial deverá alcançar 100,2 milhões de barris/dia montes, um incremento de 1,7% (igual ao anterior).

O destaque do lado da oferta ficou por conta da produção norte-americana, projetada em 10,7 milhões de barris/dia (100 mil barris a mais do que o previsto antes).

A balança comercial brasileira registrou um saldo positivo, em fevereiro, de US$ 4,907 milhões, resultado da exportação de US$ 17,315 milhões e importação de US$ 12,408 milhões. No acumulado do ano (jan e fev de 2018), as exportações totalizaram US$ 34,283 milhões e as importações US$ 26,607 milhões, com um saldo positivo de US$ 7,676 milhões.



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