Carlos Tavares: Exportação paga a licitação, a ex-Cidade Maravilhosa e o fechamento dos cassinos

LAVA-PORTO

Em 2013, atendendo a recomendação de mais de 50 entidades empresariais, pedindo “a eliminação do oneroso sistema de licitação financeira para arrendamento das áreas portuárias”, com a Lei 8215/13, foi afinal extinto o modelo-jabuticaba (só no Brasil). Porém, com o racha do Governo, em 2015, logo depois, sob comando do PMDB paulista, foi expedido o ilegal Decreto que revogando a Lei, restabeleceu as licitações, para alegria dos políticos (reportagem do Valor de 5/8/2015). Agora, com a eficiente (e discreta) procuradora-geral Raquel Dodge focalizando as fraudes decorrentes do Decreto dos portos, talvez fosse oportuna a investigação do roteiro/destino dos bilhões apurados pelas Docas com as licitações. Logo no início do nefasto sistema, o grupo Libra entregou R$ 800 milhões a Docas de Santos, sob controle político. Não custa lembrar, para quem não é do ramo, que esses elevados valores dispendidos pelos operadores dos terminais, são imediatamente repassados ao custo dos serviços dos produtos exportados/importados, e assim onerando os embarques.

RELIGIAO / CASSINOS

Já se foi o tempo em que personagens poderosas impunham aos governos sua orientação religiosa radical, como ocorreu com dona Santinha Dutra ao mandar fechar os cassinos em 1946. De fato, é compreensível que simplesmente aconselhem as pessoas a não freqüentarem os cassinos, mas não mandar fechá-los impedindo a presença geral, religiosos ou não, e, particularmente, os turistas estrangeiros. Segmento indispensável ao moderno turismo, os cassinos e hotéis-cassino, existem em mais de 140 países, integrantes da OMT/ONU, com destaque nos líderes da modalidade, China, EUA e também em nações religiosas, França, Espanha, Itália e Portugal, com alto faturamento e arrecadação tributária. A ex-cidade maravilhosa, o Rio, décadas passadas, com seus magníficos cassinos – o da Urca e os hotéis-cassino Copacabana Palace e Atlântico – era uma das 10 mais visitadas do mundo e, agora, despencou para o 92º lugar. A proposito, em recente artigo no Globo, comentando a inaceitavel protelação da reabertura dos cassinos, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, corretamente assinalou :” A demora em regular só interessa ao jogo ilegal”.

ORIGENS

O executivo paulista Edmundo Paes de Barros enviou à coluna inédita informação segundo a qual D. Santinha ao pedir ao esposo marechal-presidente Dutra, a expedição do infeliz decreto 9215/46, fechando 70 cassinos, visava resolver problema intimo. Ficava ela aflitíssima com sua filha Carmelita – casada com o vice-governador de São Paulo, Noveli Jr – que viciada em jogo, nos anos quarenta, assídua freqüentadora do Parque Balneário Hotel, em Santos, vagava ansiosa pelos seus corredores aguardando a abertura do cassino. Encerrando a interessante mensagem, Edmundo afirma: “Assim, mera questão familiar foi fator decisivo na proibição do jogo e dos cassinos, com as danosas conseqüências daí advindas”. Certíssimo.



menu
menu