Carlos Tavares: Trump ameaça e recua, China indispensável e senado contra cassinos

EUA RECUAM

Pelas suas atitudes desconcertantes e atrabiliárias sobretudo na área internacional, particularmente no intercâmbio com a China, o presidente Trump pode parecer louco. Porem, de fato, não é, pois não rasga nota de cem dólares. Após ameaçar elevar em 25% a tarifa de 1.3 mil produtos chineses (US$ 150 bilhões) – para vigorar a partir de julho – nas últimas semanas enviou duas importantes missões à Pequim. A primeira, chefiada pela secretária (ministra) dos Transportes, de naturalidade chinesa Elaine Chao, que declarou esperar “resultados positivos sobre temas econômicos e comerciais”. A outra missão especial do presidente Trump, chefiada pelo secretário (ministro) do Tesouro, Steven Mnuchin, com o secretário (ministro) do Comércio, Wilbur Ross, foi tratar da redução do déficit na balança, com o aumento das exportações americanas. Na ocasião, Steven assinalou que “as boas relações são cruciais para ambos os países, mantendo-se estreita comunicação”.

CHINA PROVIDENCIAL

A honrosa referência ao meu trabalho de divulgação da China – inclusive por esta coluna – feita pelo presidente Xi em seu histórico discurso em Brasília (2014), tornou-me ponto de contato/ informação para jornalistas chineses (radio, TV e jornal). Recentemente tenho percebido certa preocupação com a rápida ascensão dos candidatos da direita à Presidência, devido a algumas declarações extremadas como “não botar o que é estratégico nas mãos de países com regime político totalmente diferente do nosso”. O esclarecimento tranquilizador sempre oferecido é que a direita brasileira não difere das outras, existentes nos governos das potências comerciais, inclusive os EUA, que critica, ameaça, mas continua mantendo bom entendimento e alto comércio / investimentos. Como principal importadora de produtos nacionais e maior investidora, tornou-se a China fundamental para recuperação da economia. Crescendo substancialmente, nos primeiros quatro meses, os investimentos chineses somaram U$ 1,34 bilhão, totalizando, até agora, em 262 projetos, U$ 126,7 bilhões. Evidentemente que, caso eleito, o capitão não será um “cleptocrata louco e despreparado” como foi Trump classificado por Bradford Delong, da Agência de Pesquisa Econômica dos EUA.

CASSINOS / SENADO

A sessão da Comissão de Justiça do Senado, confirmando o irregular Decreto de 1946 de Dona Santinha Dutra, proibindo os hotéis-cassino, registrou argumentos tão duros quanto improcedentes, atingindo de certo modo países amigos que há décadas (talvez séculos) mantém esse sistema de jogos para suporte básico do turismo. Entre eles, além das superpotências EUA e China, encontram-se França, Espanha, Portugal, Rússia, Japão, Alemanha, México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e mais de uma centena de outros. Curiosamente (só no Brasil) na mesma orientação política, parlamentares da esquerda e da extrema direita, criticaram injustamente o sistema de hotéis-cassino, taxando-os de produzir “turismo desqualificado incentivando a prostituição de menores”, e também de “incentivar a lavagem de dinheiro” além da “vulnerabilidade dos idosos frente a jogatina” e ser “nocivo e danoso” . Pelo visto, todas essas nações desenvolvidas, em desenvolvimento e outras, estão totalmente erradas. Na direção certa estão o Brasil, Bolívia, Haiti e países islâmicos .....





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