Ernane Galvêas: PIB perdendo força, mercado de trabalho, Sistema S e o preço do petróleo

PIB – PERDENDO FORÇA

A trajetória do PIB nacional não demonstrou muita força no 1º trimestre deste ano e, embora crescendo a 3%, o melhor trimestre desde setembro passado ficou muito abaixo de março a junho/17. Comparado a março/17 cresceu 0,9%. Mas a trajetória de queda até dezembro inverteu a curva.

Na medida em que se aprofunda o déficit do setor público, vão perdendo força as variáveis que comandam o setor privado, especialmente no setor serviços, por falta de investimentos em projetos de infraestrutura.

O ambiente político ligado às eleições de outubro é, no mínimo, de incertezas. A insistência da senadora Gleisi Hoffman, presidente do PT, em manter a candidatura do ex-presidente Lula, é um convite à indefinição e, até mesmo, ao tumulto da eleição presidencial. Nesse clima de incertezas, ninguém sabe como poderiam ser equacionadas as reformas básicas da previdência social, do sistema tributário e, até mesmo, a conclusão da reforma trabalhista.

Os políticos brasileiros vão ficar devendo ao País e ao povo o encaminhamento das soluções para sair da crise. Daí a importância do nosso voto nas próximas eleições.

MERCADO DE TRABALHO

Surgiu o sinal mais positivo e evidente de que estamos deixando para trás a recessão: em abril, segundo o Ministério do Trabalho, foram criados 115,9 mil novos empregos, o melhor resultado nos últimos cinco anos. Entre os 27 Estados, 22 tiveram mais contratações do que demissões. Até o Rio de Janeiro melhorou: 94,3 mil admissões e 86,9 mil desligamentos, com saldo positivo de 7,3 mil vagas.

No acumulado do 1º quadrimestre, houve criação de 336,8 mil empregos, segundo a Caged.

O SISTEMA S

O empresariado do comércio vê com alguma simpatia o desempenho do Presidente Temer, principalmente por ter “desaparelhado o Governo”, limpando a Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica e outras empresas estatais de avanço lula-petista que abriu as portas da Lava-Jato. À sombra do Governo, trabalha silenciosamente o Sistema S, Sesi/Senai, Sesc/Senac, Senat/Senar que garante o bom relacionamento entre o capital e o trabalho, proporcionando formação profissional, lazer e cultura à grande massa dos trabalhadores. Pode-se afirmar, com orgulho, que o Sistema S é o conjunto de instituições mais destacado dos serviços sociais.

Vez por outra, surgem iniciativas para perturbar a ordem do Sistema, sejam propostas para apropriar-se de parte de seus recursos ou, até mesmo, o encerramento de suas atividades.

Sem mais nem menos, sem qualquer consulta aos interessados, desavisadamente, o Presidente Temer baixou o Decreto nº 9.364, em 8/5/18, regulamentando o Senac.

Não se sabe de onde proveio a iniciativa desse novo Decreto, incluindo “pessoas ameaçadas” entre os usuários dos programas do Senac gratuito. Não cabe ao Senac assumir os encargos sociais contemplados no distorcido Decreto.

A título de esclarecimento, “pessoas ameaçadas” são “vítimas e testemunhas ameaçadas” e “crianças e adolescentes ameaçados de morte”, conforme a Lei nº 9.807/1999. Trata-se de um claro desvio de finalidade do Senac. Lastimável.

O PREÇO DO PETRÓLEO

Em 2014, quando acelerou a produção do petróleo de xisto, nos Estados Unidos, o mercado mundial passou a acreditar que a nova fonte seria capaz de atender o crescimento da demanda mundial, ao nível de US$40,00 a US$55,00 o barril, tornando-se mais independente do controle e das decisões da OPEP. Essa disciplina do mercado durou cerca de três anos (de 2015 a 2017), mas a partir de 2018 a curva dos preços caminhou para um novo limite de US$80,00/barril.

A contínua expansão da economia mundial, inclusive sob o inusitado crescimento da China, mudou o curso das expectativas e passou a um novo marco psicológico de alta dos preços. A feição do mercado, hoje, é ditada pelo declínio dos estoques mundiais, forte aumento da demanda e restrição da oferta decorrente, entre outros, da Venezuela, Angola e os países membros da OPEP.

A perspectiva de maiores restrições ambientais ao consumo de energia fóssil não prosperou, na medida em que perdeu força a tese do agravamento do “efeito estufa” provocado pelo gás carbônico (CO2). Assim sendo, conclui-se que a era dos baixos preços do petróleo cedeu lugar à consolidação dos preços altos, como estamos assistindo atualmente.

A recente política de preços da Petrobras, sob o comando do presidente Pedro Parente, passou a praticar oscilações diárias, acompanhando as variações das cotações internacionais, mais as variações da taxa de câmbio.

Recentemente, o aumento do preço internacional mais a desvalorização cambial produziram um inusitado impacto sobre as tarifas rodoviárias no Brasil de mais de 20% e paralisou as empresas de transporte de carga e os caminhoneiros, em greve, com brutal impacto sobre a economia. Em decorrência da crise dos transportes, a Petrobras reduziu em 10% o preço do óleo diesel e o Governo reduziu a zero os tributos Cide e PIS/COFINS sobre os combustíveis.

Mas não houve acordo nas negociações entre o Governo, a Petrobras e os transportadores; e a greve continua, ainda mais com a ameaça de adesão dos petroleiros



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