Carlos Tavares: Direita ameaça, Jair acerta/erra e a licitação inflaciona

DIREITA

No mundo moderno, política e partidos não interferem na orientação econômica internacional de comprovado interesse do país. Assim, com naturais divergências, os EUA, Alemanha e muitos outros com governos direitistas, continuam a manter a China como principal parceiro comercial e também investidor. No Brasil, essa inteligente conduta, com pleno apoio do setor empresarial, estará em perigo caso vença a direita, cujo principal candidato – além de ter para vice, senador ainda mais radical – já declarou “não botar o que é estratégico nas mãos de países com regime totalmente diferente do nosso”. Assim, além da China, outros países correm o risco de terem os seus investimentos em portos, terminais, aeroportos, usinas e outros suspensos (ou até retirados), como a Inglaterra, Holanda e Japão, todos com monarquias.

JAIR, CASSINOS / CHINA

No recente debate/almoço na Associação Comercial do Rio, o candidato-capitão Jair, abordando duas importantes questões, acertou uma e errou a outra, redondamente. De forma correta, afirmou que, em seu governo, haveria possibilidade de delegar aos Estados a reabertura dos cassinos. Embora isso vá contrariar o seu candidato a vice, o senador-pastor. Porém, demonstrando total desinformação, declarou: “A China não privatiza nada”. Ao contrário, liderando o ranking mundial, a China acaba de totalizar 100,24 milhões de empresas privadas. Somente este ano, até abril, com elevação recorde de 95%, foram criadas 19.002 empresas privadas e, em 2017, 35 mil. As empresas privadas participam com 60% do crescimento do PIB, contribuindo com 340 milhões de empregos. Juntando os dois temas, a cidade chinesa de Macau, com seus 37 cassinos privados, tornou-se o paraíso mundial do jogo, recebendo (em 2017) mais de 30 milhões de turistas, com faturamento de U$ 32 bilhões, mais do dobro de Las Vegas. A propósito, dada a importância da China como principal importadora de produtos brasileiros e também líder nos investimentos – independente de crises ou alterações políticas – será difícil governar o País sem essa extraordinária colaboração.

LICITAÇÃO

Conforme anunciado, as próximas licitações de áreas portuárias deverão render 6 bilhões de reais, que entrarão pelas Cias Docas, sob o maléfico controle político/parlamentar. Será verdadeiro tiroteio nos pés, não só do próprio Governo – que pensa em estimular a exportação – como dos próprios exportadores, com o aumento dos custos dos serviços dos produtos embarcados. Tempos atrás, as licitações já haviam sido extintas (Lei 12.815/13) com a mobilização/manifesto de 43 entidades empresariais, lideradas pelo industrial Jorge Gerdau. Como todos sabem – e o Governo mais ainda – qualquer despesa dos terminais será forçosamente incluída no custo da movimentação da carga no porto. Assim, talvez a eficiente procuradora-geral Raquel Dodge julgue conveniente focalizar, também, as origens do Decreto nº 8464 de 8/6/2015, que restabeleceu as onerosas (e perigosas) licitações. De resto, autêntica jabuticaba brasileira, elas, obviamente, não existem em qualquer grande porto público mundial.



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