Ernane Galvêas: perspectivas negativas, as instituições nacionais e atividades econômicas

PERSPECTIVAS NEGATIVAS

O próximo Presidente da República vai receber uma herança negativa para administrar, a partir de 2019: crescente déficit fiscal e dívida pública caminhando para 80% do PIB, sem maiores possibilidades para executar um mínimo de projetos de infraestrutura e alavancar o crescimento econômico.

Muita coisa vai depender do apoio político do Congresso Nacional a ser eleito em outubro próximo. A atitude do Congresso atual não favorece a aprovação das reformas administrativas essenciais, principalmente a reforma da Previdência Social, responsável por cerca de 60% do déficit fiscal da União.

A recente greve das empresas rodoviárias, caminhoneiros e petroleiros aumentou o rombo na economia nacional. Vai ser difícil e levará tempo para recuperar o prejuízo. Além do mais, nesse clima de insucessos, caiu a confiança dos empresários para novos investimentos.

AS INSTITUIÇÕES NACIONAIS

Bem ou mal as instituições nacionais estão funcionando. Banco do Brasil, BNDES, CEF, BASA, BNB e
Bancoop, ou seja, o sistema financeiro público está funcionando normalmente, assim como o sistema financeiro privado (Banco Itaú/Unibanco, Bradesco, Santander, Safra e dezenas de bancos menores). Estão passando ao longo da crise e funcionando normalmente, assim como a Bovespa e o mercado de capitais. A Petrobras, Eletrobras, Vale e dezenas das maiores empresas privadas ganharam força, reconstruíram suas administrações e suas finanças.

Infelizmente, o mesmo não ocorre com o Congresso Nacional, praticamente paralisado.

Na esfera do Judiciário, a Lava Jato continua dando provas de vitalidade, assim como o TRF-4 e a 13ª Vara Federal de Curitiba, do Sergio Moro (Primeira e Segunda Instâncias) e o STJ do Ministro Felix Fischer.

NÓS, OS PAGADORES DE IMPOSTOS

“Acho que todo brasileiro está preocupado com o chamado mercado de trabalho e atento para a atual conjuntura nacional, uma vez que dados oficiais mostram que está faltando trabalhos para quase 28 milhões de brasileiros.

Só no Rio de Janeiro, cerca de 200 mil trabalhadores se tornaram, a contragosto, novos vendedores ambulantes, ampliando a situação apenas superada por São Paulo e Bahia. Aliás, um dado impressionante é o número de brasileiros ganhando a vida como camelôs: - proximidade de 1 milhão e 200 mil pessoas.

Para o IBGE esse número assustador resulta do insucesso em encontrar uma vaga, por interessados que não dispõem de experiência, de qualificação, acrescido o paradoxo de serem muito jovens ou muito idosos para o posto de trabalho. Acrescente-se mais um pormenor: a frustação de não conseguir uma vaga pelo baixo nível de escolaridade e, quase sempre, não dispor de dinheiro para sair de casa para solicitar eventuais entrevistas.

Ademais, o que é digno de lamentações é que as pesquisas revelam que o perfil de quem não encontra chance de alcançar uma vaga, é formado, na sua grande maioria, por mulheres, pessoas de cor preta ou parda, com pouca instrução, e nordestinos, sobretudo naturais da Bahia e Maranhão.

É incomodamente óbvio verificar que o próximo governo herdará um enorme déficit fiscal, uma vez que o rombo nas contas públicas assumiu um patamar tão alto que é ilusão imaginar que qualquer aventura eleitoral – com salvador da Pátria – acabará com a crise que assola o País.

Não tenho poderes mediúnicos... nem aptidão para profeta do pessimismo. Mas, é prudente imaginar que possamos vir a ter dias decepcionantes. E aí, infelizmente, sobrará para todos nós, os pagadores de impostos.”

(Ministro Bernardo Cabral – A Crítica – AM 27/05/2018)

ATIVIDADES ECONÔMICAS

As vendas reais dos supermercados apresentaram queda de 0,2% na passagem de março para abril, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercado (ABRAS). Na comparação com o mesmo período do ano passado, as vendas reais apresentaram queda de 5,8%, e em termos nominais, houve avanço de 3,2%.
A produção total de veículos, excluindo máquinas agrícolas, somou 216,9 mil unidades em maio, de acordo com a Anfavea. Trata-se de um volume 15,3% menor do que registrado em maio de 2017. Na série livre de efeitos sazonais, a produção interrompeu o movimento de duas altas consecutivas, com queda de 25,9% ante o mês anterior.
PIB e Investimentos
Segundo o IBGE, o PIB referente ao primeiro trimestre de 2018 cresceu 0,4%, na comparação com o último trimestre de 2017. O resultado veio em linha com a mediana das expectativas do mercado, sendo esta é a quinta alta trimestral consecutiva da economia brasileira, que havia crescido 0,2% no trimestre anterior. Na comparação interanual, o crescimento do produto nacional foi de 1,2%. Já no acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado dentro do esperado, a crise de abastecimento de maio leva a CNC a revisar de 2,4% para 2,1% projeção para o PIB de 2018.


Indústria
A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE, apontou avanço da produção física de 0,8% na passagem de março para abril. Esse resultado surpreendeu positivamente a expectativa do mercado (0,4%), depois da queda de 0,1% registrada na leitura anterior. Tal expansão foi influenciada pelos resultados positivos observados em todas as categorias da pesquisa, com destaque para o avanço da produção de bens intermediários (1,0%), bens de capital (1,4%) e bens duráveis (2,8%). Na comparação interanual, houve alta de 8,9% do indicador agregado, o que levou a um crescimento de 3,9% em doze meses.

Comércio

De acordo com o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista nacional teve alta de 1,0% entre março e abril. Esta é a segunda alta consecutiva do indicador, que havia avançado 1,1% entre fevereiro e março deste ano. No conceito ampliado, que inclui os grupos veículos, motos, partes e peças e materiais de construção, o volume de venda do varejo cresceu 1,3% no período. Na comparação interanual, as vendas do setor cresceram 0,6% no conceito restrito e 8,6% no conceito ampliado, décima segunda alta consecutiva. Com o resultado, as vendas no varejo registraram alta de 3,3% no acumulado do ano para o conceito restrito e de 7,4% no conceito ampliado. Já em 12 meses, a alta é de 3,7% e de 7,0% respectivamente.


Agricultura
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou estimativa mensal para a safra brasileira de grãos 2017/2018. A área plantada estimada em 61,6 milhões de hectares reapresenta expansão de 1,1% em relação à safra anterior. As principais culturas de milho e de arroz deverão diminuir 5,3% e 1,2%, respectivamente. A produção total de grãos está estimada em 223,6 milhões de toneladas, recuando 3,8% em relação à safra passada (232,4 milhões de toneladas).


Mercado de Trabalho
De acordo com dados da PNAD Contínua, a taxa de desocupação recuou de 13,6%, na média do primeiro trimestre do ano passado, para 12,9% no mesmo período de 2018. Vale destacar que a ocupação privada sem carteira assinada continua crescendo, enquanto o nível de ocupados com carteira tem recuado sempre na comparação com o mesmo período do ano anterior. No que tange à renda real, foi registrado avanço de 0,93%, ante a estabilidade verificada na leitura anterior, reforçando o cenário de ausência de pressões salariais.

Sistema Financeiro

O percentual de famílias endividadas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de lojas, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 59,1% em maio deste ano, o que representa um recuo em relação ao patamar observado em abril. Houve redução também em relação a maio de 2017, quando o indicador alcançou 60,7% do total das famílias.

Os depósitos na Caderneta de Poupança superaram os saques em R$2,4 bilhões, em maio, O resultado positivo é o maior para o mês de maio desde 2013, quando R$ 5,625 bilhões ingressaram na aplicação. Se considerados os cinco primeiros meses deste ano, os depósitos superaram as retiradas em R$1,71 bilhão.

Inflação

O IPCA registrou alta de 0,4% em maio deste ano, registrando uma aceleração em relação aos 0,22% de abril. Segundo o IBGE, os maiores impactos no índice vieram dos preços de transportes e energia, com a gasolina respondendo por
0,15 pontos percentuais (mais de um terço) da inflação no mês.

O IPC-Fipe registrou alta de 0,19% em maio, ante queda de 0,03% em abril. Destaque para o avanço dos preços de alimentos, que passaram de uma deflação de 0,10% para uma alta de 0,62% na margem. Em 12 meses o indicador acumulou expansão de 1,5%.

Setor Público

O resultado primário do Governo Central teve superávit de R$ 7,2 bilhões em abril. Esse resultado surpreendeu positivamente o mercado, que esperava um saldo positivo de R$ 3,0 bilhões. Na comparação com abril 2017, as receitas avançaram 6,3% (R$ 137,7 bilhões), enquanto as despesas subiram 13,9%, (R$ 112,0 bilhões). Em 12 meses, o déficit primário atingiu R$ 122,5 bilhões (equivalente a 1,9% do PIB), enquanto o resultado acumulado no ano apresenta déficit de R$ 5,4 bilhões. Os dados da arrecadação foram positivamente influenciados por pagamentos de royalties de petróleo.


Setor Externo

O fluxo cambial registrou saldo positivo de US$ 1,7 bilhão, em maio. As contas comercial e financeira caminharam em sentidos opostos, ao registrarem entrada líquida de US$ 6,9 bilhões na primeira e saída de US$ 5,1 bilhões na segunda. O superávit da conta comercial foi resultado de câmbio contratado para exportações de US$ 20,2 bilhões, superior aos US$ 13,4 bilhões das importações. Já o saldo negativo da conta financeira foi reflexo das compras de US$ 45,2 bilhões e vendas de US$50,3 bilhões. Em relação ao primeiro dia útil de junho, a conta comercial foi positiva em US$ 303 milhões, enquanto a financeira apresentou superávit de US$ 961 milhões, totalizando fluxo positivo de US$ 1,3 bilhão.

Com esse resultado, o fluxo acumula superávit de US$ 20,1 bilhões no ano.



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