CNI defende liberação de transporte marítimo em negociação com União Europeia

Em carta enviada, nesta terça-feira, aos diplomatas brasileiros que participam das negociações entre Mercosul e União Europeia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) pediu que o acordo de livre comércio seja fechado o quanto ante inclua a liberalização do transporte marítimo entre as duas regiões. Embora o mais utilizado nas vendas ao exterior, esse modal é considerado o principal entrave no processo de exportação do Brasil, devido a problemas diversos.

"A CNI entende que o acordo Mercosul-União Europeia precisa conter elementos, como transporte marítimo, que contribuam para ampliar o acesso das mercadorias brasileiras ao mercado europeu de forma mais competitiva", diz um trecho da carta, obtida pelo GLOBO, assinada pelo diretor de desenvolvimento industrial da entidade, Carlos Eduardo Abijaodi.

Em 2017, o bloco europeu foi o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio (soma de exportações com importações) de US$ 67 bilhões. Desse total, 79% (ou US$ 53 bilhões) ocorreram via transporte marítimo.

Segundo a CNI, apesar do crescimento de 7% no fluxo comercial entre Brasil e União Europeia entre 2016 e 2017, o valor está abaixo do pico atingido em 2011, de US$ 80,9 bilhões. Em 2008, o transporte marítimo representava 83% da corrente de comércio total e, em 2017, caiu para 79,1%.

"A Confederação tem sistematicamente defendido a liberalização do transporte marítimo, inclusive com pleitos ao governo brasileiro para o fim dos acordos bilaterais de exclusividade do transporte marítimo com Chile, Uruguai e Argentina. Esses regimes de reserva de carga inibem a competição entre as empresas de navegação, concedem forte poder aos armadores em suas negociações com os usuários e resultam em fretes, insumos e produtos mais caros, afetando negativamente a competitividade das exportações brasileiras".

A reunião entre Mercosul e União Europeia termina nesta sexta-feira. O encontro ocorre em Bruxelas, na Bélgica, sede do bloco europeu. As conversas não devem ser conclusivas.



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