China lidera exportações brasileiras e expectativa é manter parceria

De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), a liderança da China, o crescimento das commodities e o efeito plataforma foram os pontos que mais chamaram atenção no que se refere ao comportamento das exportações brasileiras em 2018. Realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), o estudo divulgado em fevereiro, com relação a janeiro reforça esse cenário e mostra a importância de manter parcerias para o contínuo desenvolvimento econômico do país.

A balança comercial fechou 2018 com um superávit de US$ 58,7 bilhões. Um resultado inferior ao do ano de 2017, US$ 67 bilhões, mas o segundo maior valor na série histórica da balança. Superando os principais parceiros países/blocos do Brasil desde 2014, a China atingiu a sua maior participação como destino das exportações brasileiras, o correspondente a 26,8%. A diferença em relação ao segundo parceiro, os Estados Unidos, foi de mais de 10 pontos percentuais (12%). Soja em grão, petróleo bruto e o minério de ferro explicam 82% das exportações brasileiras para a China, sendo a participação de cada um dos produtos de 43%, 22% e 17%, respectivamente. O petróleo, por sua vez, superou a participação do minério de ferro pela primeira vez nas vendas externas brasileiras para a China.

No caso das importações, a China é o principal mercado de origem, mas a diferença em relação ao segundo colocado é menor do que no caso das exportações. A China importou 19,2% e os Estados Unidos, 18,1% das importações totais brasileiras em 2018. Ressalta-se que o aumento de 20,2% nas importações totais entre 2017 e 2018 foi influenciada pelas mudanças do Repetro. Se excluídas as plataformas, a variação no valor importado cai para 13,8%.

O Icomex apontou também que o desempenho das exportações brasileiras das commodities em dezembro de 2018 é explicado por uma variação similar nos preços (6,7%) e no volume (6,6%). No caso das não commodities, a variação do volume é inferior (2,1%) e se excluídas as plataformas recua 2,9% entre 2017 e 2018. Isso significa que o bom desempenho exportador está atrelado às exportações de commodities.

O efeito das plataformas de petróleo ao longo do ano de 2018, no caso das exportações brasileiras, foram registradas diferenças nos meses de fevereiro, julho, agosto e novembro, enquanto nas importações, nos meses de fevereiro, julho, agosto, outubro e novembro. Embora as mudanças no regime do Repetro já foram quase todas efetivadas (o retorno contábil das plataformas de petróleo via importações) poderá ocorrer eventualmente algumas operações em 2019. No entanto, não se espera um impacto semelhante ao que ocorreu em 2018.

Para a Asia Shipping, maior integradora logística da América Latina, embora as próximas ações do governo brasileiro ainda sejam desconhecidas é preciso estar continuamente atento aos novos anúncios ou revisões de acordos existentes, bem como nas relações bilaterais, pois estas são medidas que podem afetar diretamente nas exportações brasileiras. “De acordo com as análises do Icomex, percebe-se a importância da China como um país para se manter boas relações comerciais, visto que a tendência é que ele continue sendo o principal mercado para o Brasil”, afirma. Além das commodities, um novo produto que pode entrar na mesa de negociação com a China são as exportações de carne de frango.



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