Carlos Tavares: O que terá a carta do Messias, Trump comanda a OCDE e os trunfos chineses

XI / MOURÃO

A agencia oficial chinesa Xingua noticiou corretamente o resultado da missão do vice-presidente Mourão de restabelecer o diálogo com a principal nação importadora de produtos brasileiros e também líder nos investimentos. Em seu amável discurso na reunião com Mourão no Palácio do Povo, o presidente Xi após enviar saudações cordiais ao presidente Bolsonaro, elogiou o “empenho do governo brasileiro para desenvolver a parceria estratégica abrangente entre os dois países”. Em seguida, em discreto conselho ao governo brasileiro, assinalou : “Ambos os lados devem continuar a considerar um ao outro como uma oportunidade e parceiro para o seu próprio desenvolvimento, respeitar, confiar e apoiar um ao outro ...”. No discurso de agradecimento, Mourão afirmou que o Brasil está disposto a defender o multilateralismo e o sistema global de comércio (que contraria Trump). Para encerrar, entregou misteriosa carta do presidente Bolsonaro, ao presidente Xi.

EUA

Segundo a Organização Mundial do Comércio os EUA são o país que mais violou as regras básicas da instituição, com mais de dois terços dos processos entrados para julgamento. Além disso, a saída dos EUA de diversos acordos internacionais – aprovados pela OMC – enfraquece a entidade, deixando sem rumo o comércio mundial. Não é à toa que os EUA procurem esvaziar a OMC, fortalecendo a OCDE ( Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico), já com mais de 40 associados, mas comandada pelos paises ricos.

TRUNFOS CHINESES

Na lamentável guerra comercial, em que Trump tenta evitar a inevitável ascensão da China à liderança mundial, a potencia asiática dispõe de quatro itens incontestáveis. Em primeiro o numero de turistas chineses nos EUA, em 2018 caiu 5,7%, para 2,9 milhões de visitantes, fato inédito desde 2003. O segundo, de influencia imediata na balança comercial, são as famosas “terras raras”, em que a China, maior produtor mundial, fornece 80% das importações americanas. Os dois outros itens na área econômica, são as reservas financeiras – US$ 1,3 trilhão de Bônus do Tesouro americano em poder dos chineses – e as licenças para os cassinos, em Macau. Neste caso, as licenças renováveis para os três resorts/cassinos americanos – Las Vegas Sands, Winn e MGM – que a vinte anos levam bilhões de dólares da China, conforme noticiou a Bloomberg Intelligence, de Hong Kong. Entre essas multinacionais, uma delas é do bilionário Sheldon, amigo de Trump.



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