Taxa de turismo favorece desenvolvimento econômico e é aliada da conservação ambiental

De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês), o turismo corresponde a 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Para o poder público, que tem investido intensamente na atração de visitantes de outros países, esse segmento é, ao lado do agronegócio, vetor da recuperação econômica.

O motivo por trás disso é o fato de que, quando turistas visitam o Brasil ou qualquer outro lugar do globo, eles gastam dinheiro. Isso, por sua vez, favorece a geração de emprego e renda. Ainda conforme as estatísticas da WTTC, 7,9% dos postos de trabalho gerados em todo o país são atribuídos ao turismo. O montante movimentado ficou em mais de US$ 150 bilhões, representando um crescimento de mais de 3% em comparação ao ano anterior. As viagens a lazer foram a locomotiva do segmento, sendo responsáveis por quase 90% do mercado.

Turismo, forte aliado dos países em desenvolvimento

Grécia, Espanha e Portugal são ótimos exemplos de países que investiram no turismo como mecanismo de recuperação econômica. Hoje, o segmento é o responsável por uma fatia considerável do PIB dessas nações.

Por mais que esses sejam países do primeiro mundo, especialistas apontam que as nações em desenvolvimento também têm muito a ganhar ao se tornarem potências turísticas. O Peru é uma amostra disso: rico em patrimônio histórico e natural, bem como em gastronomia de qualidade, o pequeno país da América do Sul recebeu quase 1,5 milhão de visitantes estrangeiros entre janeiro e abril desse ano. Os dados são do Ministério do Comércio Exterior e Turismo do Peru (Mincetur).

Isso é importante pois, sempre que um visitante chega a um local, ele movimenta toda a cadeia econômica local. Seus gastos com alimentação, hospedagem e transporte, bem como compras e passeios, são responsáveis diretos pelo florescimento de negócios, e, consequentemente, pela geração de empregos. Mais uma vez, os dados corroboram essa afirmação: só em 2018, o turismo injetou quase US$ 9 trilhões na economia global.

Impacto do turismo deve ser mensurado

Por mais benéfico que o turismo seja para economias em desenvolvimento, é preciso ter em mente que ele também pode gerar impactos negativos. É o caso dos problemas ambientais: dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) apontam que, em 2008, as viagens representavam 3% das emissões de gases nocivos à atmosfera no mundo.

Além disso, destinos que são alvo do chamado turismo predatório também têm muito a perder. Por exemplo: se não houver fiscalização, a poluição pode tomar conta dos destinos mais procurados pelos visitantes. Além de estragar a beleza natural desses locais – que é o seu principal potencial turístico -, os resíduos são altamente nocivos aos ecossistemas. Assim, é fundamental que, ao elaborar estratégias de fomento ao turismo, entes públicos e privados também considerem essa variável e encontrem maneiras de administrar esse impacto.

Estado também arrecada com a chegada de turistas

Quando os negócios de uma região prosperam, toda a população sai ganhando. Isso pois, quanto mais eles lucram, mais impostos o estado arrecada. Esse valor, por sua vez, é revertido em melhores serviços públicos.

Contudo, é preciso ter em mente que, quando muitos turistas visitam um local, os gastos com a sua manutenção tendem a aumentar, inclusive no que se refere à preservação ambiental. Por conta disso, muitas vezes, o poder público costuma cobrar a chamada taxa de turismo, que pode ser embutida nas diárias dos hotéis ou pagas à parte, logo na chegada ao destino.

Taxa de turismo ajuda a reduzir o impacto ambiental da prática

Em todo o mundo, a taxa de turismo é cobrada para proteger o meio ambiente. No Brasil, o exemplo mais emblemático da cobrança dessa taxa é o arquipélago de Fernando de Noronha. Lá, os visitantes podem pagar a taxa tanto pela internet quanto no aeroporto. O valor varia conforme o tempo que o visitante pretende ficar: ele fica em cerca de R$ 73 reais para apenas um dia, ultrapassando os R$ 5 mil para quem pretende ficar na ilha por um mês inteiro. A verba arrecadada é investida pelo governo local na manutenção das belezas naturais da ilha, garantindo que ela se mantenha preservada por mais tempo. Além disso, ela ajuda a controlar a quantidade de pessoas que visitam o arquipélago, evitando que o turismo se torne predatório.

Em outros locais do mundo, a taxa de turismo é cobrada com a mesma finalidade. É o caso da região da Catalunha, na Espanha: conhecida pela Costa Brava, repleta de praias paradisíacas, ela cobra em média dois euros por noite por visitante. Nas Ilhas Baleares, que também são espanholas, o valor chega a quatro euros. A finalidade da cobrança é a manutenção tanto da infraestrutura quanto da paisagem natural, que são grandes atrativos para os turistas de ambas as regiões.

(*) Com informações RBN



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