Carlos Tavares: docas não privatizáveis, Trump desesperado e origens da humanidade

PRIVATIZAÇÃO

Os dois principais portos das Américas e da Europa – Los Angeles e Roterdã – tiveram amarga experiência com a privatização. Foram criados e inicialmente administrados pelo setor privado : no porto americano por Phineas Banning e no holandês pela Cia das Índias Ocidentais. Com o crescimento da movimentação e das tarefas de fiscalização/arrecadação/controle, esses portos, passaram para administração do Estado. Atualmente estão sob o comando do Los Angeles Harbor Department (entidade municipal) e a Havenbedriff Roterdã NV. Antes de retirar a Cia Docas de S. Paulo (Codesp) e do Espirito Santo (Codesa) da lista das privatizáveis, aconselho ao ministro Paulo Guedes a consultar os meus livros Modernização dos Portos e Dez Principais Portos do Mundo (que visitei e pesquisei).

TRUMP

Continua o presidente Trump, sua obstinada campanha para evitar o inevitável isolamento da China na liderança da economia mundial. Em sua última arbitrariedade, lançou nova rodada de aumentos abusivos nas tarifas de importação de produtos chineses, desta vez de 30% sobre US$ 250 bilhões de itens. E isso foi acompanhado de acusações absurdas e infundadas como “ Eles roubaram nossa propriedade intelectual a uma taxa de centenas de bilhões de dólares.” E “Nós não precisamos da China, francamente, estaríamos melhor sem eles”. Terminando com o conselho impraticável às empresas americanas para “voltarem para casa”. Como resposta imediata, o grupo Walmart – maior empresa do mundo, segundo a Fortune 500 – anunciou plano para lá abrir mais 100 novas lojas. O grupo está há 23 anos na China, onde dispõe de 430 lojas de varejo, e pretende investir mais US$ 1,2 bilhão nos próximos 10 anos.

ORIGENS DA HUMANIDADE

Com referência a nota acima, fica claro que o presidente Trump não conhece a milenar história da China – que começou há 1,7 milhão de anos, na província de Yunnan, tampouco das suas descobertas e invenções, devidamente catalogadas desde o ano 3.000 AC. Inclusive, foi com instrumentos marítimos inventados por chineses – cartas, leme, mastros/velas e bússola – que Colombo chegou à America. Tudo isto pode ser encontrado na enciclopédia (17 volumes) Science and Civilization in China, do inglês Joseph Needhan, comprovando que os chineses não “roubaram nossa propriedade intelectual“ (como disse Trump). A origem das invenções / descobertas que formam a base da indústria dos EUA – petróleo, ferro, aço, energia, papel, impressão, sistema decimal e centenas de outras – encontram-se ali devidamente catalogadas, Em seu livro, Robert Temple, analisando a obra de Needhan, no prefácio resume: “ O que nós devemos à China”. Modestamente, também dei a minha contribuição no livro “China – Origens da Humanidade”.



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