Carlos Tavares: Resultados Brasil/China, privatização indesejada e visita de reconhecimento

EU E A CHINA

No momento em que a China festeja o 70º aniversário da República e o 45º das relações com o Brasil, eu comemoro os 48 anos de contribuição para este bom relacionamento. Desde o primeiro artigo, em outubro de 1971, foram 10 livros e mais de mil artigos e reportagens, publicados na revista Comércio & Mercados, nos jornais Gazeta Mercantil e O Globo e nas colunas Portos & Cia, Aduaneiras e Exim/Br, da FCCE. É justo destacar os artigos publicados no Globo, com a inestimável ajuda de seu proprietário, jornalista Roberto Marinho, que patrocinou duas viagens à China, em 1990 e 1992. Na coluna da Aduaneiras (Carlos Serra), que está completando 21 anos, também tive toda liberdade para defender a China. Enfim, a felicidade total foi o reconhecimento do presidente Xi, citando o meu nome em seu discurso no Congresso, em julho de 2014, quando assinalou que eu era “exemplo emocionante”. Como resultado final, a China tornou-se o maior parceiro comercial/financeiro do Brasil.

PRIVATIZAÇÃO

Privatizar a Cia Docas irá aumentar os custos dos serviços de exportação, que já são altos. Ano passado tentou-se privatizar a Codesa, mas os chineses não se interessaram, pois não querem briga com os exportadores. Já disse aqui que não existe nenhum grande porto público mundial sob o controle do setor privado. Los Angeles e Roterdã – os maiores da América e da Europa – foram descobertos e inicialmente controlados pelas empresas privadas Phineas Banning e Cia das Índias Orientais. Logo depois, por pressão das empresas concorrentes, passaram para o controle estatal: a Los Angeles Harbor Department e a Havenbendriff Roterdam NV. Se encontrarem um meio de privatizá-las vamos passar a fórmula para os EUA e a Holanda.

VISITA/CHINA

Evidentemente que o nosso capitão deixou a arrogância de lado e enfrentou humildemente os dirigentes chineses, a começar pelo afável presidente Xi. Para preparar o ambiente, antes havia enviado a Pequim o vice Mourão e o filho, senador Flávio, que teceram elogios à organização chinesa. Ao anunciar oficialmente a visita do secretário de Negociações Bilaterais com a Ásia, disse que entre as prioridades nas áreas de ciência e tecnologia destacava-se o bem-sucedido programa do Satélite Sino-Brasileiro. Na área comercial/financeira – em que o Brasil é o principal parceiro – tudo vai bem, com exportações de US$ 64 bilhões, importações de US$ 34 bilhões (em 2018), e investimentos acima de US$ 70 bilhões, além de forte potencial para ampliação desses resultados.



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