Cai a exportação

A balança comercial brasileira registrou o pior resultado em quatro anos. O saldo em 2019 foi positivo (US$ 46,7 bilhões), mas inferior ao do ano anterior (US$ 58 bilhões). O desempenho negativo foi puxado pelas exportações, que caíram 7,5% sobre 2018, embora as importações também tenham recuado (-3,3%).

No Brasil, a relação entre o resultado do comércio exterior e PIB é de cerca de 24%, muito abaixo do que se verifica em países de porte econômico similar. No México, fica acima de 70%; no Chile, supera 30%. É fato que a dinâmica do comércio internacional vem sendo reduzida desde o início dos anos 2000, mas há fatores que complicaram ainda mais em 2019, como as incertezas causadas pela saída do Reino Unido da União Europeia (o Brexit) e a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

O Brasil é hoje um país que exporta principalmente produtos básicos. Em 2019, pela primeira vez na série histórica iniciada em 1997, as exportações desses produtos atingiram o marco recorde de 52,8% do total, contra 49,8% no ano anterior. Destaque-se, em contrapartida, que as exportações de manufaturados vêm caindo de forma sistemática: elas representavam 55,1% do total em 1997 e agora caíram para 34,6%. Os semimanufaturados, como açúcar e celulose, mantiveram-se estáveis, com 12,7% de participação em 2019.

Os dados preocupam. O País se tornou produtor e exportador de commodities, com o agronegócio à frente, somado a minério de ferro e petróleo. Em 2019, a peste suína dizimou rebanhos na China e reduziu a venda de soja, alimento básico para os porcos (a soja teve sua participação reduzida de 13,8% para 11,8%). Embora tenham aumentado as vendas de carnes para o país asiático, isso não foi suficiente para contrabalançar as perdas.

Mas o problema maior está na exportação de produtos industrializados, cujo valor agregado é mais expressivo. O principal mercado é a Argentina, e a crise no país vizinho derrubou as vendas, que caíram 34,9% entre 2018 e 2019. O País não tem, como destaca o presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, competitividade nos manufaturados, e continua dependendo do agronegócio para sustentar a balança, enfrentando guerra comercial e desaceleração global.

Há muito tempo reclama-se sobre a falta de efetiva política industrial no Brasil. Isso envolve uma série de ações – qualificação da mão de obra, incentivos à produção, redução da carga tributária, melhoria na logística nacional, incorporação e difusão de tecnologia – que não são desenvolvidas. Há expectativas que a indústria possa reagir em 2020, puxada pela demanda interna, mas a alta deve ser modesta. As perspectivas de vendas ao exterior são diminutas, e o turbulento cenário internacional complica planos de expansão e vendas mais expressivas.



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