Sim, Bolsonaro diz amém às relações comerciais com Irã

No ano passado, o agronegócio brasileiro exportou para o Irã 8 milhões de toneladas de produtos por US$ 2,1 bilhões. A marca de US$ 2 bilhões foi alcançada em 2016 e desde então tem se mantido. Os produtos mais expressivos, levados pelos iranianos, são as carnes, o complexo soja, açúcar e produtos florestais. Mas a pauta é mais extensa e comporta outros itens como fumo, sucos, café e cacau.

Na manhã desta terça, 7 de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil pretende manter as relações comerciais com o Irã e afirmou que repudia o terrorismo. “Nós repudiamos o terrorismo em qualquer lugar do mundo e ponto final. Temos comércio com o Irã e vamos continuar esse comércio”, afirmou, ao deixar o Palácio da Alvorada.

A retratação do presidente veio após o governo brasileiro ter manifestado o seu apoio “à luta contra o flagelo do terrorismo“, na semana passada.

A nota havia sido divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores um dia após os Estados Unidos, em ação ordenada pelo presidente Donald Trump, matar Qassem Soleimani, principal general iraniano que se encontrava no Iraque, país aliado dos americanos.

Nesta semana, o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou os representantes diplomáticos brasileiros a comparecerem à chancelaria iraniana para explicar o teor da nota divulgada no último dia 3. A convocação foi atendida pela encarregada de Negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes.

Oriente Médio

O Irã faz parte de um bloco de países aos quais o Brasil vem tentando aumentar as vendas de produtos agrícolas.

No ano passado, entre janeiro e novembro, os 15 países que formam o Oriente Médio importaram do Brasil 16 milhões de toneladas, por US$ 7,1 bilhões. Os dados de dezembro ainda não foram fechados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Em 2018, o bloco comprou 17 milhões de toneladas, por US$ 7,5 bilhões.

Além do Irã, fazem parte do bloco o Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria, Turquia.

Do total exportado a esse bloco, as carnes bovina, suína e de aves vêm representando uma fatia acima de 40%, nos últimos cinco anos.

Em 2018 foram 1,6 milhão de toneladas por US$ 3 bilhões. Para 2019 os números devem se repetir. No caso do Irã, as compras de proteína animal foram de US$ 318,9 milhões para 82,2 mil toneladas em 2018. Confira a seguir o comércio de carne bovina com esse país nos últimos 5 anos.

Carne para os iranianos

O que o país importou de produtos bovinos nos últimos cinco anos

2015: 97,8 mil toneladas por US$ 382,7 milhões

2016 : 96,2 mil toneladas, por US$ 374,3 milhões

2017: 133,2 mil toneladas, por US$ 559,7 milhões

2018: 81,8 mil toneladas, por US$ 318,5 milhões

2019: 60,4 mil toneladas, por US$ 214,1 milhões*

Fonte: Secex. * dados de janeiro a novembro



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